Abduções iguais PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Avaliação: / 3
FracoBom 
artigos da APO - Abduções
Escrito por Luis Aparicio   
Quarta, 06 Julho 2005 22:46
Abdução: Um fenômeno comum entre uma psiquiatra e seu paciente.

Relato de uma experiência profissional espontânea, vivida em meu ambiente de trabalho.

Por Analigia Santos FRANCISCO PACIENTE ABDUZIDO

No dia 28 de novembro de 2002, fui para a CJM onde trabalho no setor de emergência do HJM como médica psiquiatra. Mais ou menos pelas 15 horas, sentei no lugar ocupado pelo registro para analisar alguns papéis. Nesse momento, entrou o Senhor A., paciente lotado no CRIS (centro de reabilitação e integração social), solicitando uma medicação para impregnação neuroléptica.



Como sempre chamei o auxiliar de enfermagem que responde como "Mineiro", para aplicar uma ampola de Biperideno 2mg via IM. Conhecendo seu caso apenas superficialmente, mas sabendo que ele usa o decanoato de Haloperidol que é uma medicação aplicada quinzenalmente, sei da necessidade do A. de desimpregnar.




Ao chegar o auxiliar, ele olhou espantado para o A. e disse:

- Doutora! Esse "cara" vive bebendo cachaça e gosta de tomar com essa medicação!

Olhei para A. para que ele dissesse algo em sua defesa, mas e paciente não se defendeu. Aliás, é uma atitude comum para os pacientes de longa data em manicômios como os da CJM, que passa por um processo de alienação crônica.



Um tanto irritado, o auxiliar começou a aplicar a injeção, quando uma voz imperativa, porém comedida, exclamou:

- Ah, não bebe. Eu sou prova disso!

Ato contínuo eu voltei meus olhos para o cidadão que eu pensava que estava esperando a hora da visita.

Era um homem mestiço, com expressão inteligente.

Eu e o "mineiro", naturalmente ficamos em silêncio diante de tanta segurança. Então ele continuou:

- Eu sou o irmão de A. E pago suas contas. Nunca paguei nada a não ser comida e refrigerantes.



Percebendo o nosso embaraço, ele suavizou sobremaneira:

- Acho que o senhor se equivocou em relação ao paciente. Naturalmente o senhor pode ter visto outro e pensou que fosse o A. Salvo pelo gongo, o mineiro aceitou e se desculpou e retirou-se a jato do local. Disfarçando a minha "cara no chão", abordei gentilmente o A. e perguntei se ele estava bem e ele confirmou com um sorriso e acrescentou:

- Esse é o meu irmão doutora!

No que o senhor assentiu com a cabeça.



Tranqüilizada com o "final feliz", sorri encerrando o incidente. Nesse momento, o senhor olhou fixamente para mim e indagou:

- A senhora conhece o A.?

Eu, sem saber mais como melhorar a situação respondi:

- Claro! Ele sempre vem à emergência desse hospital para fazer esse tipo de medicamento.



Ele insistiu:

- Pergunto se a senhora “conhece realmente” o A.; leu sua história?



Sem mais convicção alguma disse:

- Ele é do Cris; eu sou da emergência, logo eu o conheço como pessoa e sei de suas necessidades, mas não sou sua médica.



Ele, que se apresentou como S., questionou:

- Mas a senhora já leu seu prontuário do CRIS?

Eu disse não.

Ele insistiu:

- A senhora sabia que ele ficou assim depois que ele foi abduzido por um disco voador?

Eu o olhei fixamente. Em termos médicos, abdução não tinha sentido para mim naquela frase.

Ele percebeu e adicionou:

- Seqüestrado.



LEMBRANÇAS



Nesse momento, eu viajei para o ano de 1965. Eu estava com um primo de primeiro grau chamado JLR, pelos idos de julho a novembro. Era meia noite e eu sai de sua casa para ir para a minha, do outro lado da quadra. Nesse momento, eu vi algo há uns 80 metros de mim. Parado. Luzes coloridas (vermelho, verde, azul...) girando na horizontal, como um carro de polícia. Nessa época, todos as viaturas tinham cores de tom vermelho, o que me chamou atenção. Olhando mais nitidamente, percebi que simplesmente o objeto estava parado e não tinha nada embaixo para suportá-lo. Bastante surpreendida, suspeitei de algo inusitado. Olhei fixamente e percebi que as luzes deixavam perceber algo metálico há mais de 3 metros de altura, sem suporte e que parecia côncavo. "É um disco voador". Nesse momento, pensei no perigo e olhei em volta. Há menos de 30 metros, dois homens baixos, talvez com 1,30 ou 1,40 vestidos de astronautas, vinham calmamente em nossa direção. Recordando os livros que já havia lido em todos meus 14 anos e meio, pensei em algum raio paralisante ou essas coisas similares. Em fração de segundos, tive medo de voltar para casa e eles fazerem algum mal à minha família. Pensei em seguir pela rua que ia dar numa pedreira; assim eu e meu primo nos livraríamos deles.



Desatamos a correr...



NO HOSPITAL



Olhei para o S. e creio que ele deve ter percebido a longa peregrinação mental que fiz. S. continuou. Nessa hora só estávamos eu, S. e A..

- Sinto que a senhora não é como o doutor L., que é o médico dele. Então eu vou contar para a senhora o que aconteceu. Eu refeita e curiosa olhei ansiosamente para saber o ocorrido.



- Tudo começou em novembro de 1952, em Cubatão. Eu, e mais nove moleques de minha idade (eu contava com nove anos e meu irmão A., com oito) brincávamos de polícia e ladrão quando um vento muito forte chegou de repente. Antes que tivéssemos qualquer reação, um objeto se aproximou de nós. Tinha o tamanho do maracananzinho.



Nesse momento, eu quase pus tudo a perder. Lembrei do "Independence Day". Filme de um exagero fenomenal e tão discreto como uma revoada de hipopótamos. Com minha esforçada contenção do riso (ou gargalhadas), ele continuou:



- Nisso, a "nave" parou, abriu uma porta que se embutia pelas paredes - meu pai não acreditou quando eu disse isso, porque nessa época a gente não conhecia esse sistema - e lançou uma "flecha" metálica de mais ou menos 30 cm. Começamos a correr e o primeiro abrigo para nós era a escola. Chegamos lá em mais ou menos oito minutos. Então percebi que meu irmão não estava. Como irmão mais velho, me senti (e sinto) muito mal por não ter parado para socorrê-lo. Cheguei em casa e contei tudo. Um monte de pessoas então saíram para procurar o A.. Ninguém sabia onde ele estava, até que houve um telefonema da Estação para nossa cidade, perguntando-nos se conhecíamos um menino com as características de meu irmão. Chegamos até lá e encontramos A. em choque; não reconhecia ninguém. Nós o levamos para casa e intentamos todos os médicos de Cubatão. Ele piorava a cada dia. Doutora, levamos ele para tudo que era médico e ele ficou para morrer...



- Quais os sintomas? Perguntei curiosíssima, e voltei a dizer:

- Aliás, vou fazer melhor; vou abduzir você até meu consultório para que você me conte tudo...

Ele sorriu e A. percebeu que não era hora de permanecer; orgulhoso de ver seu irmão sendo atendido com atenção (coisa que falta na nossa prática médica), ele saiu contente. Entramos em meu consultório e quando havia uma emergência eu atendia e logo voltávamos ao tema...



- Meu irmão pegou uma enorme quantidade de enfermidades, principalmente na pele. Furunculose e uma coisa... Que não sei definir...



VOLTANDO A 1952



Novamente eu fiz uma viagem até novembro de 1952, quando eu tinha 1 ano e pouco e passei por uma experiência semelhante. Eu nasci em julho de 1951. Meus pais eram muito jovens (16 e 18 anos). Aos 6 meses de idade, meus pais me mandaram para a casa de meus avós, no Sul da Bahia, em Ilhéus. Apesar de muito ricos e produtores de cacau, eles tinham vida simples e não urbana, faltando por isso , o conforto das grandes cidades.



Depois que fiz 1 ano, segundo meus pais, minha mãe teve uma visão de madrugada. Viu Jesus, bem claramente pedindo que ela fosse me buscar senão eu morreria... Ela foi direto para o aeroporto e chegou à Bahia o mais rápido que pôde. Me encontrou em estado de quase-morte. Desidratada, com furunculose e irreconhecível. Ela buscou uma farmácia e o farmacêutico a desenganou: "Ah, minha senhora!!! Essa menina não tem jeito não... A senhora tem que buscar socorro em uma cidade grande".



Minha mãe, Dona NSEP, 17 anos, sozinha e sem saber o que fazer voltou à fazenda e retaliou meus avós, acusando-os dos mais graves danos que uma pessoa poderia fazer. Isso selou uma inimizade que duraria para sempre, mesmo contra os argumentos de meus avós que disseram que a culpa recaia na babá (de dez anos) que abandonou a criança no mato e fugiu... Incógnita. Fugiu de que? Minha mãe pegou meus restos e foi para Minas Gerais. Onde sua Irmã OEP morava.



Ali, fiquei em estação de águas por 3 meses. Minha saúde foi restaurada, porém uma coisa foi percebida gradativamente. Eu estava cega de um olho, permaneciam as luzes, porém sem foco. Isso me causou um estrabismo bastante grave...



NO CONSULTÓRIO



S. falava enquanto eu comparava minha estória, a época, as doenças e tudo mais.

- S.! Que estória terrível você está me contando! Exclamei lamentando a mim mesma.

- É doutora! Eu guardarei essa culpa comigo para sempre. Eu deveria ter ficado.

- Doutora! A senhora já viu discos voadores, né?

- É... Eu vi com meu primo quando eu tinha 14 anos.

- Viu a tripulação?

- Vi.

- E depois?

- Depois? Ah!. Eu corri.

- É. Assim é melhor. Mas...Correu para onde?

- Corri para uma pedreira. Eu e meu primo.

- Ah!



Nesse momento eu me perguntava: Cadê a pedreira que eu nunca cheguei lá. Eu não me lembrava de nada; arquivei. Eu já estava sobremaneira em pânico. S. já percebia que o assunto chegou ao particular, mas não ousava perguntar.



- S.. O estrabismo que eu noto em seu irmão. Ele nasceu assim?

- Não doutora. Isso foi seqüela. Apareceu depois, sem mais nem menos. Aliás, o Chico Xavier fez uma palestra sobre isso e eu notei que ele tinha o mesmo problema de meu irmão.

Ato contínuo eu fui à minha bolsa, peguei minha carteira de motorista e apresentei ao S..



"MONOCULAR"



Ele olhava para a carteira e me olhava. Eu, séria.

Ele então, falou com voz baixa:

- Abduzida...



Creio que já se passaram mais de duas horas de diálogo. Eu então resolvi entrevistar o A..

- E aí, A.. Quer dizer que você tem um irmão e eu tomei ele de você?

A., orgulhoso de ver tanta atenção, disse sorrindo:

- Ah! Doutora! Para mim está tudo bem.

- Diga-me A., como foi aquela estória da nave?

- Eu não me lembro de nada não senhora. Só sei que eu brincava com meus amigos, ai veio um vento forte e de repente eu vi uma "seta". E tinha uma coisa muito grande que escureceu o céu.

- E como era essa seta?

- Mais ou menos deste tamanho oh! E sinalizou algo de 35cm.

Daí por diante, ele não se lembra de mais nada, nem que estava longe e sua família foi buscar. Apagou de sua memória todas as informações.



A., um paciente de décadas na CJM, já tem seus neurônios de criatividade e abstração hipotrofiada. Mas todos os eventos, ficaram correlacionados com as informações de S.; Por outro lado, eu confio mais nos meus pacientes embotados que sejam ,do que a mente criativa e enganosa dos homens de QI normais.



S. também me informou que durante alguns anos, não "acordou" para os fatos; somente com dezoito anos, quando foi servir exército no Ceará, é que começou a procurar alguma coisa que curasse seu irmão. Refere ter ido para a universidade do Ceará onde cursou pedagogia e psicologia. Não teve direito a participar dos trabalhos ufológicos porque não havia sido abduzido e só era testemunha.



Pesquisador por conta própria, autodidata em fenômenos UFOs, S. conseguiu perseguir a rota do agora já famoso (para nós) Ovni de novembro de 1952. Descobriu que ele foi visto no Ceará e ali abduziu pessoas, uma delas com o nome de Valter. Nesse suposto abduzido, na mesma época da abdução de A., foi encontrado em seu crânio, um chip (?). Foi ao estado do Pará onde se encontrou com o médico que fez a cirurgia e a retirada do chip, do tamanho de um grampo (desses que servem para grampear folhas). Após a cirurgia, o paciente Valter, não suportou a cirurgia e veio a falecer com suposta hidrocefalia.



Eu já explorara o senhor S. por horas e acabei por abduzi-lo por exatamente 7 horas, haja vista que ele ficou à minha disposição até às dez horas da noite. Ele deixou seu telefone comigo e sei que qualquer iniciativa para desvendar o caso de seu irmão será abençoada. A essa altura, eu já debulhava minha vivência para ele. Sentia uma confiança naquele senhor de 60 anos que se apunhalava por não ter se lembrado de seu irmão. Exatamente há meio século atrás...



Dois destinos...Não. Com o Valter, 3 destinos. Não muito mais destinos se cruzavam numa experiência desconhecida, numa moral estranha, que beneficia uns e destrói outros? Eu sentia agora todo meu império de crenças ruir como o Word Trade Center... Sem querer, aquele homem se apresentou para mim, num fatídico dia 28 de novembro de 2002. E ia mudar minha vida e a de minha família, talvez para sempre.

* Analigia Santos FRANCISCO é médica neuropsiquiatra e hipnóloga.
atualizado em Sábado, 09 Abril 2011 15:10
 
VALID CSS
  |   VALID XHTML