Para lá do Sistema Solar Versão para impressão
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artigos da APO - Astronomia
Quarta, 18 Outubro 2006 21:54

Na história da conquista espacial, quatro sondas foram lançadas com o objetivo de viajarem para lá do sistema solar, rumo ao infinito – as gêmeas 'Pioneer' e 'Voyager'.

Uma delas, a 'Voyager 1', depois de 29 anos no espaço, acaba de alcançar as 100 Unidades Astronômicas (equivalente a 100 vezes a distância da Terra ao Sol), ou seja, os 15 mil milhões de quilômetros da nossa estrela, na fronteira final do Sistema Solar – a heliopausa–, uma vasta e turbulenta região onde a influência do Sol termina, tornando-se assim no objeto mais distante construído pelo Homem.

O nosso sistema solar completo assenta no interior de uma gigantesca borbulha de gás quatro vezes maior do que a órbita de Netuno.

O responsável é o Sol, que incha a borbulha por intermédio do vento solar. Os astrônomos chamam a esta borbulha heliosfera e à sua membrana exterior heliopausa, que nos protege dos raios cósmicos galácticos (partículas subatômicas aceleradas a uma velocidade próxima da da luz por supernovas e buracos negros e que podem penetrar no corpo dos astronautas, danificando-lhes o ADN), dispersando as partículas e tornando-as inofensivas.

ONDE ESTÃO OS ETs?

O nosso sistema solar, acreditam os astrônomos, não é um caso único no Universo e toda a manifestação de vida na Terra tem, certamente, uma origem comum. Mas as observações contínuas e orientadas, realizadas nas últimas décadas, não conseguiram detectar, entre as 'vozes' da galáxia, qualquer apelo de outros seres inteligentes.

Última hipótese: darmo-nos a conhecer. Quatro velhas sondas, a caminho do infinito, levam mensagens para extraterrestres, quais garrafas lançadas na imensidão do mar... cósmico.

Em cada galáxia existem milhões de estrelas semelhantes ao nosso Sol e que, em princípio, podem possuir planetas com condições semelhantes à Terra, isto é, condições favoráveis à vida. Por isso, a ideia de um Universo densamente habitado por vida e inteligência diversa tem fascinado os astrônomos.

À vertiginosa velocidade de 1,4 milhões de quilômetros por dia, as sondas 'Voyager' – que já superaram condições muito duras, como a radiação do planeta Júpiter ou as baixas temperaturas das regiões externas do sistema solar, apenas umas dezenas de graus acima do zero absoluto – serão as primeiras a poder 'sair' para o espaço interestelar em menos de dez anos e continuam a dar notícias do que vão descobrindo, ao contrário das 'Pioneer', já desativadas.

Os primeiros sinais de que a 'Voyager 1' se acercava de uma estranha região do espaço aconteceram em Novembro de 2003: o vento solar perdeu velocidade abruptamente, caindo de 2,4 milhões de quilômetros por hora para 1,1 milhões. Outra evidência de que estava próxima do fim do Sistema Solar veio em Dezembro de 2004, quando os sensores da nave detectaram um súbito aumento do campo magnético, o que aconteceria quando o vento solar perdesse influência.

Na esperança de encontro com outros seres inteligentes, as quatro naves são portadoras de placas e CD com mensagens de paz, música, poemas, frases em todas as línguas do Mundo e as chaves necessárias para a decifração da identidade e localização dos terrestres, que já pensam ser os únicos seres inteligentes do Universo.

SONDAS RUMO AO ESPAÇO EXTERIOR

Sonda - Lançamento - Velocidade - Distância

VOYAGER 1- 5 Setembro 1977 - 1,4 milhões km/dia - 15 mil milhões km

VOYAGER 2 - 20 Agosto 1977 - 1,3 milhões km/dia - 12 mil milhões km

PIONEER 10 - 10 2 Março 1972 - 1,05 milhões km/dia - 13,7 mil milhões km

PIONEER 11 - 5 Abril 1973 - 9,9 milhões km/dia - 10,8 mil milhões km

Fonte: http://www.correiomanha.pt