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artigos da APO - Avistamentos
Escrito por Luís Aparício   
Segunda, 22 Outubro 2007 20:59
"A Maior Manifestação de UFOs já vista na Terra, ... com enormes luzes observadas sobre várias regiões dos Estados Unidos, por mais de 100 mil pessoas. ... O caso é considerado o maior acontecimento ufológico de todos os tempos".

É assim que um documentário sobre as chamadas "Luzes de Phoenix" vem sendo vendido no Brasil.

Mas o que aconteceria se descobríssemos que o "maior acontecimento ufológico de todos os tempos" em verdade já foi explicado há vários anos, e não envolveu OVNIs?

Phoenix, no Arizona, EUA, realmente foi palco de um espetáculo OVNI na noite de 13 de março de 1997. Uma série de luzes no céu foi descrita por várias testemunhas, e por volta das dez horas da noite, a "pièce de résistance" OVNI: as luzes em uma formação triangular puderam ser vistas claramente durante vários minutos por milhares e milhares de testemunhas. E, desta vez, várias delas filmaram o evento, entre elas a americana Lynne Kitei, que produziu o documentário "As Luzes de Phoenix: Não estamos sós". Confira o trailer:

Este realmente poderia ser o "maior acontecimento ufológico de todos os tempos". Não fosse o detalhe de que a abundância de evidência física permitiu identificar as luzes.

Quando há vários vídeos de um mesmo objeto tomados de pontos de vista diferentes, é possível estimar sua distância e posição a partir de uma técnica simples chamada "triangulação". É trigonometria simples, ensinada no colegial. Avaliando a direção em que cada um dos observadores apontava, e traçando sua posição exata, constrói-se um triângulo em que uma das pontas indicará onde estava o objeto.

Foi o que fez em 2 de setembro de 1998, pouco mais de um ano depois dos eventos, o físico americano Bruce Maccabee. Maccabee é um ufólogo que defende a existência de OVNIs mas ainda é capaz de realizar algumas análises sérias. Seu trabalho, com base em três vídeos das Luzes, pode ser lido em Report On Phoenix Light Arrays. Disponível há quase dez anos, sua conclusão:

"descobrimos que as luzes estavam muito distantes (muito mais do que se acreditava). Também concluímos que as luzes não permaneceram imóveis. ... Medidas cuidadosas das luzes individuais do conjunto de 13 de março mostra um movimento descendente e à esquerda. Além disso, enquanto todo o avistamento tenha durado vários minutos (meia hora, etc.), a duração de cada luz individual estava na faixa de 4 a 5 minutos quando vista em sua 'duração completa'. As luzes de duração mais curtas no vídeo de Krzysten de 13 de março são provavelmente devidas à obstrução pelos topos das montanhas perto do pico 4512', uma vez que determinamos que as luzes estavam ligeiramente acima das montanhas enquanto desciam".

A distância das luzes, determinada com base em evidência objetiva múltipla, era de 110 a 130km! Muito distantes, realmente. E como vimos, a triangulação permitiu determinar não apenas a distância, como a posição das luzes. Que estavam justamente sobre uma área militar de treinos, atrás de uma cadeia de montanhas, em particular a de "Estrella". Maccabee conclui ainda:

"Todas as características ... são consistentes com sinalizadores militares lançados a grande altitude sobre a área de exercício da Força Aérea e vistos de grandes distâncias sobre as cadeias de montanha. A luminosidade extrema destes sinalizadores em particular não deve ser descartada. Eles irradiam quase 2 milhões de lúmens de luz visível, comparável ao farol de um avião apontado diretamente ao observador de muitos quilômetros de distância. A uma distância em torno de 100 quilômetros a dificuldade de ver a fumaça ou o pára-quedas sustentando o sinalizador seria comparável à de ver um grande planeta próximo de uma estrela brilhante: a radiação refletida seria ofuscada pela radiação direta da fonte de luz".

Sim, as Luzes de Phoenix foram sinalizadores militares, uma espécie mais sofisticada de fogos de artifício fabricada para ser visível a centenas de quilômetros. Não só seu comportamento, aparência e posição foram determinados de forma objetiva, como os próprios militares admitiram sua responsabilidade neste "espetáculo OVNI".

O tenente coronel Ed Jones pilotou um dos quatro aviões A-10 que lançaram os sinalizadores naquela noite. Como contou ao jornal Arizona Republic, ele e seus colegas estavam voando na última noite da "Operação Snowbird", e em seu caminho de volta a Tucson, ele instruiu todos a ejetar os sinalizadores que ainda tinham a bordo. Já que era a última noite de manobras, era mais simples ejetar os sinalizadores do que pousar com eles e armazenar a munição em terra.

"Um de nossos colegas tinha em torno de 10 sobrando, e ele começou a soltá-los, um depois de outro", Jones disse. "Assim, em intervalos de alguns segundos, quando o próximo sinalizador estava pronto para ir, ele apertava o botão e o liberava".

Jones olhou para trás e viu uma série de luzes igualmente espaçadas sobre o deserto, flutuando muito lentamente. Cada uma era extremamente brilhante, alguns milhões de candelas, ele sabia. Eles pareciam flutuar porque o calor do sinalizador subia em direção ao pára-quedas, como se fossem pequenos balões de ar quente. Os aviões se dirigiram à base.

Como se isso não fosse suficiente, outras análises ainda mais gráficas mostraram como o desaparecimento gradual das luzes nos vídeos podia ser mesmo associado às montanhas. Enquanto os sinalizadores caíam, um a um desciam abaixo do nível das montanhas à sua frente. O laboratório Cognitech comparou filmagens dos "OVNIs" à noite com uma filmagem diurna no mesmo local, demonstrando muito claramente como cada ponto de luz desaparece exatamente quando desce abaixo das montanhas
Não há margem para dúvida razoável. Os múltiplos vídeos, quando analisados, permitem determinar claramente que as luzes estavam atrás da cadeia de montanhas, sobre uma área de treinamento militar. Seu comportamento, registrado fisicamente nos vídeos, é o de pontos de luz extremamente brilhantes caindo lentamente, derivando levemente para os lados. Exatamente como sinalizadores militares, sobre os quais há confirmação de que foram lançados exatamente naquele momento.

Não estamos sós
Mas nem toda essa evidência convence alguns. Entre eles a própria Lynne Kitei, autora e vendedora do documentário sobre as Luzes referido acima. O mais curioso é que os vídeos de Kitei são um dos três vídeos usados por Maccabee em suas análises, e sobre os quais se pôde determinar conclusivamente serem sinalizadores.

Frente a tal, Kitei tentou argumentar que "ninguém pôde triangular os vídeos ... porque os cinegrafistas filmaram em um período de tempo de 30-40 minutos de direções diferentes". Não se entende muito bem o que Kitei quis dizer, mas supondo que ela compreenda o que seja uma triangulação, ela pode ter tentado dizer que não haveria vídeos tomados simultaneamente o que impossibilitaria uma análise.

Isso não é verdade. A própria análise de Maccabee detalha como ele associou os três diferentes vídeos. Não apenas isso, não foi apenas Maccabee que pôde fazer uma triangulação. Ainda em 1998, e mesmo antes de Maccabee, o americano Timothy Printy também pôde efetuar triangulações baseado em dois vídeos, um dos quais também foi usado por Maccabee.

Kitei também diz que "nos dez anos desde este avistamento em massa histórico, ninguém relatou ter visto a formação anômala de luzes atrás da cadeia de montanhas por volta de 10 horas de noite".

Isso também não é verdade. Como Printy nota, Bill Hamilton descreveu inicialmente as luzes "sobre" as montanhas e pouco depois, repetiu que elas estavam "atrás" das montanhas. Um dos cinegrafistas, Tom King, também relatou inicialmente que elas "poderiam ter ido atrás das montanhas" e que estavam "sobre" elas. Posteriormente tanto Hamilton quanto King insistiriam que as luzes estavam à frente das montanhas. Mais alguns anos depois, e King admitiu que o vídeo era de sinalizadores. O ufólogo Bill Hamilton, assim como Lynne Kitei, ainda insistem em negar os fatos.

As verdadeiras Luzes de Phoenix
O mais irônico é que os vídeos que foram os principais responsáveis pela fama das Luzes de Phoenix, e que foram identificados como sendo sinalizadores, acabaram por literalmente encobrir um avistamento de fato inexplicado do que podem ter sido OVNIs naquela mesma noite.

O próprio Bruce Maccabee alerta que "um avistamento anterior, por centenas de pessoas ao redor das 8:30 da noite de um objeto triangular negro que bloqueou as estrelas, era um OVNI".

Isso mesmo, poucas horas antes do espetáculo dos sinalizadores militares, várias testemunhas relataram um enorme OVNI triangular com algumas luzes que teria voado sobre suas cabeças.

Infelizmente, não há muita --se é que há -- evidência física segura deste avistamento anterior. Há essencialmente apenas muitos relatos, e nenhum ufólogo esteve interessado em analisá-los seriamente. Como resultado, este "OVNI" permanece inexplicado.

Tim Printy tem, em inglês, uma boa compilação e análise de todo o episódio das "Luzes de Phoenix" em seu sítio: March 13, 1997: The Arizona UFOs. Printy chega a sugerir uma explicação mesmo para este OVNI anterior, mas apesar de prosaica e muito interessante, ela não é conclusiva, justamente pela falta de maior evidência física.

Os verdadeiros OVNIs em Phoenix não são assim muito diferentes de outros casos conhecidos e ainda não resolvidos, baseados quase unicamente em relatos. Já as "Luzes de Phoenix", em vários vídeos e imagens, foram sinalizadores militares.

Nos anos seguintes, outros exercícios militares na região provocaram mais "avistamentos de OVNIs", devidamente explorados por "ufólogos", mesmo quando os militares alertaram de antemão sobre suas peripécias.

Esse é, enfim, "o maior acontecimento ufológico de todos os tempos".

Kentaro Mori


atualizado em Terça, 12 Abril 2011 19:19