Aeronáutica confirma “chupa-chupa”

CARLOS MENDES (Da Editoria de Atualidades) – Entre os meses de outubro, novembro e dezembro de 1977 e no primeiro semestre de 1978, o Pará foi literalmente invadido por Objetos Voadores Não-Identificados (Ovni’s).

Não eram simples avistamentos de luzes passando nos céus a grandes alturas, mas objetos luminosos com formas e tamanhos diversos, que percorriam os municípios da região da Baía do Marajó a baixa altitude, a poucos metros de árvores e, detalhe, emitindo poderosos raios de luz que atingiam as pessoas.

As vítimas atingidas pelo fenômeno- até hoje investigado e com lugar cativo na história da ufologia mundial -, tinham nomes diferentes para os silenciosos objetos luminosos – “luz vampira”, “bicho”, “coisa”, e, principalmente, “chupa-chupa” -, que, segundo alguns de seus depoimentos, seriam pilotados por supostos seres de 1,20 a 1,30 metro.

O povo cunhou as aparições de “chupa-chupa” porque as vítimas ficavam com marcas esquisitas pelo corpo, com minúsculos furos na pele após serem sugadas pela luz. As mulheres apresentavam lesões nos seios.

Parecia que haviam perdido sangue durante o ataque. Homens e mulheres vítimas do foco tinham algo em comum: reclamavam de tontura, amortecimento do corpo e dor de cabeça depois que os agressores iam embora.

Um clima de pavor tomou conta das populações de Colares, Santos Antônio do Tauá, Mosqueiro e Baía do Sol naqueles meses de amargas lembranças. Até a população de Belém viveu momentos de histeria, com sucessivos relatos de luzes estranhas e ataques do “chupa-chupa” em vários bairros da cidade, deixando as autoridades atônitas.

Mistério – Vinte e sete anos depois do fenômeno, ainda tido como inexplicável por cientistas de várias partes do mundo que estiveram no Pará no final da década de 70, documentos do serviço secreto do Ministério da Aeronáutica, na área do 1º Comando Aéreo Regional (Comar) de Belém, revelam que as luzes do espaço foram algo muito mais intrigante do que pode imaginar a nossa vã filosofia.

Resposta para explicar o fenômeno: não há resposta. Ele continua a ser um grande mistério e um imenso desafio para a ciência e também para os especialistas da Aeronáutica.

Ufólogos, cientistas, pesquisadores acreditados em universidades brasileiras estão coletando assinaturas para um manifesto a ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo que a Aeronáutica revele as conclusões de sua investigação sobre o chupa-chupa.

O manifesto já conta com milhares de assinaturas, inclusive de físicos, biólogos, jornalistas, militares e políticos.

Com 200 páginas, o relatório dos militares, conhecido por “Operação Prato”, é ilustrado por mais de 500 fotos e inúmeras filmagens. Tudo foi remetido para os escalões superiores da Aeronáutica em Brasília.

Como vivíamos em plena ditadura militar, os documentos ficaram guardados por mais de 23 anos. A conclusão dos militares, porém, nunca veio a público.

Temia-se à época que a invasão de objetos luminosos no Pará fosse “coisa de comunista”, quem sabe uma nova arma desenvolvida secretamente pela então União Soviética para desestabilizar o regime dos generais brasileiros.

Por sugestão do Serviço Nacional de Informações (SNI) e do serviço secreto da Aeronáutica, ficou decidido que o resultado final da “Operação Prato” continuaria sigiloso.

Mas parte da “Operação Prato” veio à tona pela coragem de um militar da própria Aeronáutica, o capitão Uyrangê Hollanda, designado pelo ministério para comandar a missão ultrasigilosa, apurar os fatos e entrevistar todas as vítimas do chupa-chupa.

De tudo o que foi relatado aos militares pelas vítimas dos ovni’s e cuja cópia foi obtida por O LIBERAL, o que mais chamou a atenção foi o depoimento da lavradora Claudomira Paixão.

Ela conta que na noite de 18 de outubro de 1977 acordou com uma intensa luminosidade que penetrava através da janela de sua casa, na Baía do Sol. “O ar estava cada vez mais quente.

A luz primeiramente era verde, tocou minha cabeça e atravessou a minha face.
Despertei totalmente e a luz tornou-se vermelha. Pude ver uma criatura, como um homem, usando um macacão tal como os de mergulho. Tinha um instrumento como uma pistola.

Apontou-o para mim e o objeto brilhou por três vezes acertando-me o peito durante as três ocasiões, quase no mesmo lugar.

Estava quente, feria-me, parecia que me espetavam agulhas em todos os três pontos. Penso que me extraíram sangue. Eu estava apavorada, não podia mexer as minhas pernas. Estava aterrorizada”, relatou Claudomira.

O que ela falou aos agentes secretos da Aeronáutica foi importante porque, pela primeira vez, alguém menciona a existência de um ser deixando a nave para extrair o sangue de seu corpo.

A quase totalidade dos outros depoimentos – à exceção de um também na Baía do Sol, que relata a aparição de um casal do espaço que disparou uma pístola com raios de luz sobre um pescador, deixando-o desacordado por vários minutos – diz que as luzes provocavam tontura, fraqueza e “tremor nas carnes”.

Carpinteiro atira em disco-voador

Os dias de pânico dos moradores de Colares com a presença de naves alienígenas nos céus da região, narra o capitão Uyrangê Hollanda no relatório militar da “Operação Prato”, levaram a algumas atitudes de completo desespero.

“Eles usavam fogos de artifício para avisar vizinhos e amigos sobre a chegada do chupa-chupa. E muito freqüentemente apontavam suas espingardas de caça para o alto e atiravam nos ovni’s.

“Nós constantemente dizíamos: não atirem, não atirem. Certa vez, uma luz muito forte foi focada em um homem em Colares. Um carpinteiro entre 50 e 60 anos de idade.

Ele tomou seu rifle e mirou no disco. A luz o circundou e ele caiu ao chão, quase paralisado. O carpinteiro ficou se movendo fracamente durante 15 dias. No primeiro dia ficou abobalhado, podia ver, ouvir e falar, mas permaneceu estático por vários dias, dificilmente podendo se mover”, relata o capitão em entrevista prestada há seis anos à revista UFO, que foi a única a ouvir sua impressionante narrativa sobre o epísódio.

Os pescadores de Colares também viram ovni’s mergulhando e saindo das águas da Baía do Marajó e, por vezes, viram suas luzes azuladas movendo-se sob as águas.

“Certa vez, estava dormindo quando os sargentos – membros de inteligência da operação – disseram-me que fotografaram um disco mergulhando na água, perto de um bote. Esperei o pescador chegar à praia e ele me disse o que aconteceu. Declarou-se apavorado”.

“Várias semanas depois, eu mesmo vi uma luz perto de um barco de pesca. Era azul. Circulou o bote uma ou duas vezes por cerca de 300 metros e mergulhou na água.

Sem produzir qualquer ruído, como uma lâmina sendo introduzida na água”, relata Hollanda. (C. M)

Médica que atendeu vítimas diz que lesões
não tinham qualquer explicação

A médica responsável pela Unidade de Saúde do município da Vigia em 1977 Wellaide Cecim Carvalho, também ouvida pelo capitão Hollanda e seus subordinados, revelou ter atendido mais de 40 pessoas vítimas dos ovni’s.

Ela constatou queimaduras no corpo de seus pacientes. Pelo cargo que exercia, pediu que seu depoimento fosse mantido em sigilo, porque temia ser ridicularizada se admitisse que a origem das lesões nas vítimas não tinha qualquer explicação médica.

Os cidadãos comuns, em sua maioria pescadores e lavradores, não entendiam o motivo de terem sido escolhidos como alvos das luzes.

Só tinham uma certeza: suas mentes estavam povoadas pelo medo de estar servindo como cobaias para seres de outros planetas, sem saber de continuariam vivos após passar por aquela inusitada experiência.

Humanóides – O próprio capitão Hollanda, cansado juntamente com seus agentes de ver os objetos luminosos passarem na frente deles, posando para máquinas fotográficas e filmadoras, não segurou o espanto.

Num trecho do relatório, ele confessa estar diante de “fenômenos intrigantes”. Na hora de revelar as fotografias tiradas das naves a menos de 20 metros, uma falha nos equipamentos: certas fotos não mostravam os ovni’s. Eles só apareciam quando as imagens eram colocadas em negativo.

“Acho que os objetos estão querendo se exibir para a nossa equipe”, dizia o capitão em seu relatório. De fato, em uma foto primorosa feita na Ilha de Mosqueiro, é possível observar os nítidos contornos do ovni que se aproximou da equipe militar em baixíssima altitude.

Hollanda conta que dentro de um dos aparelhos dava para ver “seres humanóides de baixa estatura”. Isso, dito por quem chefiava uma missão ultrasecreta, deixaria o resultado da “Operação Prato” no descrédito.

Embora o chefe de Hollanda no 1º Comar, o brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira, já falecido, acreditasse na existência de seres extraterrenos.

Oliveira teria ficado “muito feliz”, segundo Hollanda, ao receber informações de que o chupa-chupa era algo tão sedutor quanto inexplicável pela ciência humana.

O que os militares viram, na verdade, não era segredo para muitos moradores de Colares. Um dos seres, segundo um pescador da Ponta do Cajueiro, tinha cerca de 1,20 m de altura.

Padre testemunhou aparição de objeto

O padre Alfredo de La Ó, à época pároco de Colares e já falecido, foi ouvido em depoimento pelos militares. Em certo trecho de suas declarações, ele conta que vinha dirigindo seu carro pela estrada quando avistou ao longe um objeto luminoso em forma de cone.

Eram 19h30 e o objeto, que estava a uns cem metros de altura, baixou ainda mais, parecendo que ia pousar.

“Parei o carro e saltei para observar melhor. As luzes do objeto eram das cores verde, vermelho e amarela e acendiam intermitentemente no sentido horário.

O objeto oscilava lateralmente, mas subitamente aumentou sua luminosidade, subiu e desapareceu sem chegar a pousar”, resumiu o padre.

Às duas horas da madrugada do dia 27 de novembro de 1977, os agentes secretos da Aeronáutica focaram sua atenção sobre três objetos luminosos, com tamanhos diferentes, avistados sobre a Ponta do Machadinho, aparentemente estacionados, a uma distância de três mil metros.

Em dado momento, o de menor volume aproximou-se vagarosamente do maior. E poucos segundos depois deslocou-se no rumo noroeste, em direção a Belém.

Os outros dois objetos ficaram pousados por alguns segundos e depois subiram em alta velocidade, desaparecendo em rumos diferentes.

Arraia – Outros cinco corpos luminosos foram avistados no dia 28 de novembro a 15 mil pés – cerca de dois mil metros – sobre Colares. Eles se juntaram a um objeto maior.

E emitiam luzes amarelas, vermelhas e verdes. Um dos objetos desgarrou-se dos demais e passou a emitir intensos jatos de luz azul sobre a Ponta do Bacuri. Depois, todos se juntaram novamente e partiram em alta velocidade em direção à Baía do Sol, no Mosqueiro.

Um pescador, em pânico, relatou aos militares o encontro que teve na Praia do Cajueiro com um Objeto Voador Não-Identificado de cor escura e que refletia forte luminosidade azulada. (C. M.)

Aparelho mais veloz que jato atingiu moradores
com raio e fugiu em seguida

Em um dos relatos, é descrito um objeto de cor amarelo-avermelhada deslocando-se a baixa atitude e sem fazer ruído.

De repente, emitiu um longo feixe de luz azulada que atingiu o depoente na região lombar, provocando o entorpecimento do local. Ele também se queixou de paralisia, dores musculares e outros efeitos físicos por vários dias.

Em outro depoimento, uma nave de aproximadamente cem metros de comprimento é descrita por um caboclo de Colares.

Ele diz que após o objeto emitir possantes raios de luz em direção à cidade, apontou sua espingarda em direção ao aparelho, disparando um tiro. Em seguida, correu e se refugiou no mato.

Diversos moradores contam outra aparição de um grande objeto luminoso a uma altura de 1.500 metros sobre a foz do rio Jejutauá, na Ilha de Colares. Mais rápida que um avião a jato, a nave fez uma curva brusca e desapareceu na noite escura da Baía do Marajó.

Pouso – No dia 1º de novembro de 1977, um fato estranho chamou a atenção dos militares da Aeronáutica que haviam montado um posto de observação dos Ovni’s sobre a caixa d’água da cidade de Colares: à meia-noite e meia, uma luz azul, vista em outras aparições, deslocou-se no rumo sul-norte e, ao chegar às proximidades do baixio Coroa Vermelha, parou.

Um corpo luminoso amarelo-avermelhado aproximou-se e, ao chegar exatamente sobre a luz, apagou-se. Meia hora depois, outro objeto luminoso fez idêntica manobra, desaparecendo ao “pousar” sobre a mesma luz. (C. M.)

Capitão descreve nave voadora com 50 metros
de altura sobre a Baía do Sol

Um objeto luminoso enorme, que parecia ser uma nave-mãe, confessa o capitão, chegou estar a menos de 100 metros de distância dos militares. “Fiquei aterrorizado.

Em um momento não sabia o que poderia acontecer. Podiam ter nos abduzido. E também poderiam ter feito conosco qualquer coisa que quisessem”.

Em uma outra ocasião, na Baía do Sol, Hollanda descreve o seguinte epísódio: “Era perto de 7 horas da manhã, logo após o nascer do sol. Não vimos nada se aproximando.

Repentinamente, um enorme objeto discóide, com cerca de 30 metros de diâmetro e 50 metros de altura, estava flutuando exatamente sobre nós”.

Coleta – A “Operação Prato” nunca chegou ao seu final. A Aeronáutica suspendeu o trabalho sem maiores explicações. A conclusão de Hollanda – que em 1997 foi encontrado por suas filhas enforcado com o cinto do seu roupão de banho, no segundo andar de sua luxuosa casa, através de uma morte oficialmente apurada como “suicídio por asfixia”-, foi de que os seres do espaço denominados pelos caboclos do Pará como chupa-chupa não estavam atacando pessoas, mas “coletando material.

Estavam cobrindo o espaço aéreo brasileiro em faixas, assim como a nossa fotografia aérea o faz. Estavam se movimentando desde o Maranhão; depois, Colares, Marajó, Monte Alegre, Santarém e Manaus, cobrindo a região como se fosse um programa”. Por quê o Ministério da Aeronáutica suspendeu a operação?

Resposta de Hollanda: “Não sei a causa do desinteresse. A Força Aérea não estava mais interessada, mas eu estava”. (C. M)
Fonte: Revista UFO