Dunas de Marte podem esconder reservatórios de águ

Apesar das marcas de canais na paisagem marciana sugerirem que a água já correu pela superfície do planeta no passado, Bourke acredita ter encontrado provas topográficas de que algumas das dunas gigantescas de Marte são metade água.

“Minhas descobertas não sugerem que há mais água em Marte”, disse a geóloga no festival da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, realizado em Dublin (capital da Irlanda). “Meu trabalho tratou-se de identificar um novo local que ainda não havia sido identificado.” Sondas enviadas ao planeta já detectaram a presença de água na superfície dele.

Um desses novos locais é uma duna na cratera Kaiser, na parte sul de Marte, com cerca de 475 metros de altura e 6,5 quilômetros de largura. Bourke acredita que ela pode ser a maior do Sistema Solar.

As pesquisas da geóloga sobre o terreno do planeta vermelho revelam dunas que parecem feitas de terra. Ao contrário das dunas do deserto do Saara, que vivem mudando de posição, o perfil das dunas de Marte as aproxima daquelas encontradas na Antártida. Sua forma parece sugerir que algo as está mantendo relativamente estáveis.

Imagens de alta resolução obtidas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da Nasa (agência espacial dos EUA), mostram rachaduras, saliências e declives íngremes, algo semelhante ao que se encontra em dunas de regiões congeladas e áridas ao redor do Pólo Sul.

“Há indícios de que algo dentro das dunas de areia de Marte as está mantendo firmes”, afirmou Bourke. “O que estou sugerindo é que esse algo é a água.”

Bourke aceitou que pode haver outras explicações para a capacidade da areia marciana manter sua forma, mas a aparente presença de outras características comuns em nosso planeta, como canais aluviais, podem sugerir que elas foram criadas por degelo.

Perguntada se as dunas seriam um bom ponto de partida para quem busca sinais de vida em Marte, Bourke afirmou que o potencial existe, dado que a Antártica experienciou condições climáticas semelhantes há 20 mil anos.

Entretanto, a vida em si não deve ter evoluído lá dado que as dunas parecem estar entre as formações mais recentes de Marte, tendo sido criadas há cerca de 100 mil anos, quando o planeta, estima Bourke, deve ter vivido sua última nevasca.