É possível induzir

O maior buraco negro já observado.

O coração de um buraco negro, conhecido como singularidade, sempre foi considerado pelos cientistas um lugar de condições tão extremas que as próprias leis da física se “quebram” e parecem deixar de valer lá. Mas os pesquisadores também supunham que a singularidade estaria velada eternamente pelo horizonte de eventos, uma espécie de fronteira nas vizinhanças do buraco negro.

A luz que chega até o horizonte de eventos acaba sendo inevitavelmente sugada pela gravidade brutal do astro. E, como não consegue escapar mais, isso significa que a singularidade se torna invisível — afinal, se a luz não volta daquele lugar, não há como enxergá-lo.

O físico britânico Roger Penrose batizou esse princípio de “censura cósmica”. Seria uma espécie de tapa-sexo que o Universo usa para impedir que a “indecência” das leis físicas sendo feitas em pedacinhos na “singularidade nua” fosse vista por quem está fora. Afinal, no interior de um buraco negro, a teoria da relatividade de Einstein prevê o surgimento de um ponto infinitamente pequeno e denso que rasgaria o próprio tecido do espaço e do tempo — algo que não parece fazer sentido.

Astrônomos acham centenas de buracos negros

No entanto, os cientistas também se perguntavam se seria possível desnudar o buraco negro. Imaginemos, por exemplo, um buraco negro girando a altíssima velocidade. Nesse caso, a força centrífuga poderia jogar luz e matéria para longe do astro, revelando a nudez da singularidade. Até agora, no entanto, não se sabia como essa velocidade podia ser atingida numa situação real.

É aí que entra o trabalho dos físicos da Unesp. Eles propõem que uma estranha propriedade conhecida como tunelamento quântico, na qual uma partícula consegue atravessar barreiras que normalmente seriam capazes de barrá-la, poderia ser a chave para o strip-tease de buracos negros.

Uma partícula que atingissse um buraco negro dessa maneira poderia dar o empurrão necessário para que a singularidade se mostrasse ao Universo.

O que é um Buraco Negro?

A idéia ainda enfrenta uma série de problemas práticos e teóricos. O maior deles é a unificação da mecânica quântica, que permite fenômenos como o tunelamento, e a relatividade, a qual normalmente rege o funcionamento de buracos negros.

O trabalho de George Matsas e André da Silva foi alvo de uma reportagem na prestigiosa revista científica “Nature”. [G1]

Fonte: http://groups.tecnocientista.info/nd.asp?cod=6222