ETs no quintal de casa ou os cientistas ficando ma

Uma linha fina ampliava o tema: “Pesquisadores argumentam que civilizações alienígenas podem ter deixado sinais de sua existência no Sistema Solar”.

Como idéia central, os pesquisadores Christopher Rose, da Universidade Rutgers, e Gregory Wright, da Antiope Associates, ambos nos EUA, defendem que eventuais alienígenas descobririam que mandar sinais de rádio não seria o melhor meio de se comunicar com outras civilizações, porque, paradoxalmente, seria energeticamente mais custoso do que enviar um pequeno objeto artificial, talvez até em escala nanométrica.

Com base nesta lógica, eles argumentam que se existem extraterrestres inteligentes e tecnologicamente avançados, seus indícios devem ser procurados por perto, em pequenos artefatos enviados remotamente. Com astúcia científica, o autor da matéria associa o postulado ao estudo desenvolvido por outro pesquisador, o americano descendente de portugueses, Robert Freitas Jr., que ainda nos anos 1980 conduziu buscas telescópicas por artefatos de outras civilizações. “Se houvesse algum, eu esperaria que ele estivesse postado num dos pontos de libração do sistema Terra-Lua”, disse Freitas Jr.

Os pontos de libração (ou de Lagrange) que ele menciona são os locais em que a gravidade da Terra e da Lua se compensam exatamente, tornando a região uma espécie de estacionamento natural para naves espaciais. Com seu colega Francisco Valdes, Freitas Jr. procurou, mas nada encontrou.

Corroborando sua proposta, agora Rose e Wright apresentaram os cálculos para a hipótese, embora tenham assumido uma posição mais conservadora sobre onde procurar, e digam que estão ainda pensando nisso.

Não há como não tomar a novidade sem sobressalto. Em essência, o postulado dos ufólogos, ressalvado um maior ou menor entusiasmo dependendo do proponente, é de que meia dúzia ou talvez um pouco mais de casos relativamente bem documentados da Ufologia, independentemente dos crassos erros de metodologia na pesquisa, podem efetivamente ter sido causados por incursões alienígenas em nosso Sistema Solar. Mas especificamente, em nossa atmosfera.

Daí que, exceto pela posição no espaço – seja numa órbita Lagrangeana ou na atmosfera da Terra – a proposta exposta na Nature pode dar ao assunto contornos científicos. Ressalvada alguma assimetria implícita entre um conceito e outro, ainda assim há espaço para o questionamento acadêmico e científico da possibilidade da presença de artefatos não terrestres no nosso Sistema Solar.

Mas será possível que a Nature tenha deliberadamente aberto espaço para esse pensamento? O que propõem os cientistas, quanto ao local de “estacionamento” de pequenos (se não “nano”) objetos, não soaria tão ou mais absurdo que a proposta de mais de 50 anos de “um grupo de lunáticos” que, diante de um contexto histórico complexo e altamente repetitivo, postula que não só existem tais objetos mas que, vez ou outra, talvez façam incursões na nossa atmosfera?

Se uma civilização alienígena tivesse resolvido o problema da energia para enviar um artefato até a distância estacionária entre a Terra e a Lua, depois de uma difícil e longa jornada interestelar (ou talvez não, já que não conheceríamos a física usada para a viagem), qual dificuldade teria de fazer com que tais objetos percorressem, por sua própria energia e propulsão, a ínfima distância que falta para “olhar” mais perto, colher mais dados e, quem sabe, até algumas amostras?

Chega a ser irônico. Como uma revista de tal envergadura e controle sobre a qualidade de seus escritos deixou passar uma matéria dessas? A julgar pelo tratamento destinado não aos ufólogos em si, mas ao conceito que norteia a existência de um campo de interesse denominado Ufologia, por que tal teoria dos pequenos-ou-nano-objetos (e que ninguém apelide de “sondas”, para não estragar a aventura dos “neo-ufólogos” cientistas, pois aí teriam que se retirar de campo pela pressão dos pares) não teria a mesma recepção na comunidade científica? Simplesmente porque é um produto acadêmico, com nomes respeitosos assinando, pesos PhD, ainda que não tenham a menor noção do que procuram ou como procurar, e tenham tido a científica idéia de apontar telescópios para o local?

Mais um pouco e esses cientistas malucos vão dizer que é possível que alguns desses artefatos chegaram a colidir com algum planeta do Sistema Solar, talvez a própria Terra ou, quem sabe, até contemporaneamente à presença humana aqui, tenham suavemente aterrissado para depois regressarem ao seu “estacionamento” ou, mais ainda, seu lugar de origem…

Mais um pouco não… uma semana depois realmente aconteceu. Desta vez no “Journal of the British Interplanetary Society”, edição de Janeiro/fevereiro de 2005. Um time de cientistas americanos pontuou que as recentes descobertas astrofísicas sugerem que nós deveríamos nos encontrar no meio de uma ou mais civilizações extraterrestres. Além disso, eles argumentam que é um engano rejeitar todos os relatos de OVNI já que alguma evidência para as visitas extraterrestres – teoricamente preditas – poderiam ser encontradas justamente neles.

“Nós estamos na situação curiosa hoje de que nossas melhores teorias físicas e astrofísicas modernas predizem que nós deveríamos estar experimentando visitação extraterrestre, contudo qualquer evidência possível de tal escondida no fenômeno OVNI é ridicularizada dentro de nossa comunidade científica”, defendeu o astrofísico Bernard Haisch.

O que os ufólogos devem estar se perguntando agora é onde estavam esses doidos de pedra e seus agora defensores quando populações inteiras de povoados em quatro estados brasileiros, em pânico, queixaram-se de ataques por pequenos objetos voadores que disparavam raios vermelhos causando seqüelas mensuráveis, registros fotográficos e levando até ao início de uma operação (agora-já-não-mais) secreta da Força Aérea Brasileira nos idos de 77 e 78…

Ah, certamente não poderiam se envolver. Havia “Prato” no nome da Operação, e prato lembra disco. E disco vem de disco-voador, uma invencionice de alguns ufólogos amadores que não merecem crédito algum mesmo…