Julio F

Segue-se a transcrição dos interrogatórios e gravações das hipnoses efectuadas a Júlio F. feitas por José Luís Jordán Pena, psicólogo e director Laboratório da Associação Espanhola de Parapsicologia, pela senhora Ana Mozo, hipnologa diplomada e pelo doutor Jesus Duran, psiquiatra e especialista em hipnose clínica.

Em nenhum momento das declarações realizadas por Júlio durante hipnose a estes três especialistas foram contraditórias entre si, limitando-se a ir avivando cada vez maior número de detalhes da sua assombrosa vivência.
A primeira notícia deste caso teve lugar quando um tal Manolo F. durante uma das frequentes conferências sobre ovnis que Penã fazia, relatou que o seu irmão Julio F. tinha tido uma experiência impressionante e que queria apresenta-lo. Que havia ocorrido. Todo começou na manhã de 5 de Fevereiro de 1978 Júlio F. tinha então 30 anos de idade, casado, com um filho de dois anos e meio, havia estudado na escola de veterinária durante três anos, por isso conservava uma grande admiração pelos animais. Trabalhava então num comércio familiar, mas as suas paixões eram a fotografia e a electrónica. A sua maior paixão era para a caça sozinho com o seu fiel cão MUS, um pointer inglês ligeiro de pura raça. No dia seguinte acabava a época de caça, por isso Júlio dirigiu-se na véspera para uma zona abundante em lebres, perto do povoado de Casavieja na província de Ávila. Naquela noite dormiu pouco. Depois de levantar-se às duas da manhã e tomar um frugal pequeno-almoço, saiu às três e meia, meteu a espingarda e o cão no carro e em vez de tomar a estrada de Boadilla del Monte, que o levaria directamente a Casavieja, partiu em direcção diametralmente oposta, indo pela estrada de Barcelona até à província de Soria, parece que um impulso irresistível fez com que se dirigisse para Medinaceli na província de Soria.

A viagem Alucinante

Depois de entrar no se Seat 127, Júlio saiu naquela fria noite de Fevereiro, clara e sem nuvens, no rádio gravador introduziu uma cassette do argentino Jorge Cafrune, posteriormente veio a comprovar-se que estava desgravada nalguns trechos da fita (de notar que o rádio gravador do carro só tinha a capacidade de ler). Pensando que era ainda cedo para caçar decidiu parar num bar à beira da estrada, para tomar um café e um chinchón cerca das quatro e meia no Hostal 113 à saída de Algora em Guadalajara. No bar estava um empregado alto ruivo (Júlio pensava que levava peruca), contrariando os regulamentos de hotelaria levava luvas nas mãos. Durante aqueles 20 minutos que lá esteve não viu entrar ninguém no
normalmente saem camionistas, a guarda civil e outros caçadores. À parte do estranho aspecto do empregado do balcão que não actuava com o desembaraço dum profissional, Júlio cheirou um forte odor a pinho, pensando que seria de algum detergente ali empregue para limpar o local. Curiosamente este odor a pinho, havia de senti-lo dentro da nave.

A conversa com o empregado também foi curiosa e nem sob hipnose se recorda muito bem. O empregado insistiu que deveria ir caçar num certo lugar determinado. Posteriormente o dono do Hostal 113, declarou que nesse dia o estabelecimento só abriu depois das 8 da manhã aos domingos e que não tinha nenhum empregado com aquelas características descritas. Júlio saiu do bar pelas seis menos um quarto e fez meia hora para atingir Medinaceli, que estava a 50 km dali. Percorreu mais 15 km, deixou o povoado à direita e dirigiuse para Barahona. Até aqui foram as suas recordações, a seguir tudo teve que ser extraído por hipnose. Dirigiu-se por uma estrada de terra batida percorreu cerca de 2 km, quando o motor se parou, as luzes extinguiram-se e o rádio deixou de funcionar, pensou que seria da bateria, mas esta tinha sido recentemente mudada. Júlio saiu do carro mal-humorado e verificou que o seu relógio mecânico também tinha parado, posteriormente levou-o a diversos relojoeiros para o consertar, sem sucesso).

É de assinalar que durante esta viagem alucinante uma luz potente acompanhou o carro de Júlio situado a uns metros acima. Na realidade tudo leva a crer que ele foi levado a um local, onde alguém queria que fosse. De imediato MUS começou a ladrar entrepondo-se entre ele e algum perigo eminente, o dorso do cão estava tudo eriçado, estava tenso como um arco e o seu dono nunca visto assim, pensando que poderia ser lobos, pegou na espingarda e meteu cinco cartuxos. Logo mais tranquilo tentou ver algo ver algo na obscuridade. Foi então que viu figuras humanas que vinham pelo caminho a cerca de 80 metros e os seus trajes pareciam reflectir a pouca luz ambiente. Quando se acercaram verificou que os seus trajes eram de cor verde pastel emitiam um ligeiro brilho. Um capucho de cor amarelo cobria-lhes a cabeça, deixando somente ver-lhes a cara descoberta. Eram altos, do sexo masculino, ombros larguíssimos, cintura estreita e aspecto atlético. Os crânios eram enorme e as mãos larguíssimas e ossudos.

Os seres detiveram-se a meio metro dele e não sentiu medo pela presença daqueles dois seres, só tinha ficado admirado. Incluso disse a MUS para não morder. Desde o primeiro momento ficou com a impressão que eles não eram seres deste mundo. A sua presença inspirou-lhe sossego e paz, pareceu-lhe que tinha encontrado alguém conhecido que há muito tempo não via. Mentalmente percebeu uma mensagem que lhe dizia “ fica tranquilo, não passa nada, só queremos que nos acompanhes por favor”. Segundo entendeu o seu grande interesse radicava-se no cão e pediram que o acompanha-se na qualidade de dono e domador. Asseguraram que a experiência seria interessante e não havia nada a temer e que voltariam. Júlio apercebeu-se que não era uma ordem mas sim um convite cordialíssimo, quase um pedido. Ele pensou que eram gentes boas e incapazes de fazer-lhe algum mal. Assim pôs a espingarda ao ombro e foram atrás dos dois seres.

O ASPECTO DOS SERES

A impressão que causou em Júlio, era que aqueles seres tinha uma fria amabilidade, gesticulavam pouco, moviam os braços para trabalhar ou para realizar alguma acção concreta, de contrário permaneciam com eles colados ao corpo. Nada perturbava a sua calma. Pareciam tecnologicamente superiores a nós, mas não em cultura. Júlio que aquela gente não tinha um Beethoven, eram práticos e directos. Pareciam-lhe meio militares meio cientistas. Moviam-se com grande disciplina nas suas missões, muito
ordenadamente que os nossos astronautas. Vestiam um fato de uma só peça que chegava aos pés. Era de cor verde pastel. Não tinha costuras nem aberturas, mas sim um friso como nas nossas jersei. O fato era suficientemente cingido ao corpo para que se reconhecer os músculos. O material que estava confeccionado parecia com o dos anoraks, mas mais suave e elástico.

Não se observavam fibras, era liso e não se enrugava ao mover-se. Júlio não viu o calçado. Aqueles homens impressionaram Júlio. Aparentavam ser muito fortes. A sua largura de ombros resultava desproporcionada. Mostravam uma compleição atlética própria de indivíduos acostumados a praticas desportivas que recordam um pouco os jogadores de futebol americano, tanto pela estatura de uns 2 metros como pela sua tipologia, eram estreitos de ancas. Deferiam de nós porque os seus braços chegavam até aos joelhos. Apesar das mãos serem largas, Júlio ficou impressionado visto serem débeis e ossudas, muito frágeis como a de um pianista.

Chamou-lhe mais a atenção para os dedos intermináveis e muito finos. Pareciam mãos de um velho devido à serem sardentas e nodosas, debaixo da pele distinguiam-se os tendões e os ossos, dir-se-ia que nunca teriam trabalhado ou levantado um peso. As unhas eram normais e curtas e estavam limpas. Aquelas mãos resultavam numa dissonância com o corpo. A cabeça também tinha diferenças com a humana. A frente subia direita um bom espaço para curvar-se mais acima, era mais saliente que a nossa e também maior. Apresentava uma típica proeminência sobre os olhos muito avolumada (era o que os anatomistas chamam de touro supra orbital). Trabalhos posteriores cifram a capacidade craniana em 10.000 cm3 contra os nossos 1.500 cm3. Júlio não lhes viu nada de barba ou cabelo nem pestanas nem sobrancelhas. Quanto aos frontais da cabeça, os parientais estavam muito desenvolvidos a sua saliência arredondada era considerável. Na era que tivessem cabeça de lâmpada eléctrica, mas quase. Quanto aos olhos eram como faróis que se destacavam fortemente na cara. Tão pouco viu as orelhas, mas podiam ter estado cobertas pelo gorro.

As pálpebras tinham um contorno oval, não terminando em ângulo ou prega como nos humanos. A íris gigantesca era do dobro do tamanho de um de nós e a sua cor era dum azul claro, quase transparente. A pupila aparecia dilatadíssima, conferindo-lhe um olhar hipnótico, como de continuo susto, apesar de paradoxalmente tranquilizador. A cara era muito ossuda com um nariz fino e largo e as maças do rosto muito salientes. Uma particularidade muito chamativa era o queixo. Era enorme e sobressaía até fora e para baixo terminando em ponta. Tinha o aspecto dum cone achatado. Júlio chegou a ver os poros da pele. Esta era da cor da cera, branquíssima, típica de pessoas que nunca viram o sol. O seu aspecto nórdico; Júlio estava convencido que uma luz excessiva poderia prejudicá-los. Assegura que viam melhor que nós na obscuridade, pois andavam a uma velocidade impressionante, chegando ao ponto de ser penoso segui-los na escuridão, além do mais por cada passo que eles davam Júlio dava passo e meio. O seu andar era majestoso, elegante e rítmico. Júlio lembrava-lhe Fred Astaire e também as girafas que tinham um andar pausado, lento, harmonioso, porque o seu centro de gravidade estava muito alto. Apesar de tudo eram humanos, tangíveis e palpáveis. Não eram nem hologramas nem robots. Júlio pensa que com óculos escuros e barbas postiças poderiam passar despercebidos em qualquer país escandinavo.

A NAVE

Depois de ascender pelo que Júlio chama de “ a ladeira “imediatamente viu a nave. Estava oculta por detrás dumas lombas no fundo dum vale. Júlio esperava encontrar algo, até pensou num disco voador, mas de tais dimensões não. Ao princípio pode apreciar somente a parte esquerda (o resto estava tapado pela lomba) a sua reacção foi de espanto. Simplesmente ficou de boca aberta a metade do caminho, sem forças para seguir “ foi como Carl Marx tivesse visto Deus “.

Tinha à sua frente 70 metros de nave extraterrestre. Aquela gigantesca massa de centenas de toneladas, flutuava imóvel e em silêncio, causou uma tremenda impressão em Júlio, pois a nave teria a altura dum terceiro ou quarto piso, entre uns 15 a 20 metros de altura e entre uns 60 a 70 metros de diâmetro. A nave teria a forma dum prato de sopa invertido, parecia inteiramente metálica e dum tom de prata mate. As asas e o trem de aterragem ocupavam mais de dois terços da fuselagem. Entre a cúpula e a asa havia um anel de metro e meio de altura que emitia luzes em diferentes tons, azuis, verdes, vermelhos e amarelos que se sucediam sem transição aparente. O anel dava a impressão de girar da esquerda para a direita, ao contraio dos ponteiros do relógio. Tratava-se dum falso efeito óptico, similar aos anúncios luminosos. No cimo viu uns rectângulos verticais e escuros que veio a confirmar serem as janelas do centro de controlo da nave.

Júlio que tinha ficado para trás correu atrás daqueles homens que tinham seguido sem dar conta que ele tinha ficado para trás a observar a nave. Os três juntos meteram-se por debaixo da asa da nave até ao seu centro geométrico. Para Júlio aquele gigante chapéu de-chuva era liso sem qualquer costura ou remate, era como tivesse sido feito duma só peça. Quando ele começou a caminhar por baixo da nave sentiu um cheiro intenso a pinho e ozone, o que se veio a verificar igualmente dentro da nave.
espingarda e a navalha que trazia foram atraídos para cima, o que o fez compreender que existia um forte campo magnético. Como surgindo do centro do geométrico da nave, apareceu um cilindro que se deteve a um palmo do chão. Este era liso e baixou silenciosamente. Mediria cerca de 4 metros de alto e 2,5 metros de diâmetro. Perante o seu assombro abriu-se perante ele uma porta em guilhotina e no seu interior estava iluminado por uma luz estranhíssima e desconcertante, realmente marciana, inclusivamente mais estranha do que eles ou que o disco voador. A sua luz era dum branco puríssimo e não danificava a vista. Ali Júlio admite que sentiu medo e pensouduas vezes antes de entrar. (Existem casos mundiais parecidos com o descrito como seja o caso Óscar Linke, Mário Zuccallà e um caso Espanhol frente ao Guadalajara em 1938 etc ).

Júlio acabou por entrar e encontrou-se num espaço duns 3 metros de altura por 2,5 metros de diâmetro. As paredes eram do mesmo metal mate que havia no exterior da nave. O tecto parecia de vidro esmerilado ou plástico, tinha uma cor branca opaca e resultava muito brilhante. A luz surgia de todos e cada um dos pontos. Júlio tomou em atenção que Mus não o havia seguido, então voltou para trás e teve que sair e ir buscá-lo. O cão negava-se a segui-lo tendo em atenção que era um cão muito obediente o que era verdadeiramente estranho, assim Júlio teve que arrastá-lo pela coleira. O ascensor subiu com bastante rapidez e suavidade e deteve-se, a porta elevou-se e Júlio encontrou-se perante um corredor de secção rectangular e de iguais proporções que o elevador. A Luz emanava do tecto que projectava uma grande luminosidade uniforme e estava feito do mesmo material do elevador. Avançaram uns 8 metros pelo corredor, quando chegaram ao final viraram à direita para um corredor circular que parecia rodear a nave. A sua parede interior era metálica e direita, embora a exterior curvava-se em arco, sem duvida seguia e a curva exterior da cúpula.

Andaram outros 8 a 10 metros por esse segundo corredor que descrevia uma curva muito apertada. Na parte de dentro desse corredor observou uma portas equidistantes de 2.20 de largura por 2.5 m de altura. As portas eram muito delgadas e não se conseguia perceber as dobradiças ou aldrabas. O aspecto daquele lugar era como se fosse totalmente asséptico. Algo importante: não existiam ângulos interiores: a superfície das paredes fundia-se com o tecto mediante uma curva suave. Continuando pelo corredor circular Júlio deparou-se com uma escada que ele considerou parecido com a das piscinas. Aquilo deixou-o estupefacto. Não parecia lógico que uma gente com tecnologia capaz de mater uma nave suspensa a 4 metros do solo, necessitaria duma escada daquelas para vencer uma diferença de nível. Júlio examinou a escada e as partes laterais onde se seguravam era de fraca grossura, sendo fácil agarrar esse tubo. Em cada 40 cm um degrau sem cilíndrico de bom tamanho com a parte plana para cima, o que permitia colocar o pé devidamente. Aí ele pode ver o enorme comprimento das mãos deles ao agarrarem os degraus colocando o polegar por debaixo e ainda sobejavam dedos.

Primeiro subiu um deles que ascendeu a uma velocidade vertiginosa com dois saltos estava lá em cima. Quando Júlio começou a subir notou que a escada estava demasiada fria, a sua temperatura não era própria dum metal. (O policia Herb Schirmer declarou também que tocou numa escada que parecia gélida, com um frio desses que se mete nos ossos). Ademais a escada era metálica, mas não como as paredes, mas sim cromada e muito brilhante. Júlio subiu levando a espingarda sobre o ombro esquerdo entretanto no braço direito levava Mus. Subiu com as pernas utilizando só a mão esquerda para apoiar-se ligeiramente e guardar o equilíbrio. De algo lhe serviu tantos anos de montanhismo! A escada terminava num orifício no tecto de 80 cm de diâmetro. O tecto teria uns 10 cm de grossura. Ao levantar a cabeça no buraco ele levou a maior surpresa da sua vida.

A Sala de controlo

O primeiro que viu foi um novo individuo que numa atitude de saudação lhe disse “ tudo bem não há problema nenhum”. Era o mais alto dos três e apareceu por detrás e à direita da zona onde estava um painel com aspecto de computador. De imediato Júlio fixou a sua atenção na sala e o elemento mais enigmático voltou a ser a luz.

Não produzia a mais pequena sombra, viam-se as cores como num mostruário de papel. Era um mundo branco, nítido, puro e onde a obscuridade não existia, onde uma pessoa podia os poros na pele sem problemas. Aquela luz tinha algo de místico e religioso. Constituía um fiel componente dos seus acompanhantes, poderia ser até a sua filosofia.

Ali não se podia albergar maus pensamentos porque tudo era limpo, tudo se via. Inspirava calma e paz. Júlio também se viu influenciado pela estrutura da sala, tratava-se dum aposento semiesférica feita com aquele vidro de plástico branco que irradiava luz e essa luz era a chave, Júlio sentia-se imerso nela, pois surgia do tecto e das paredes. A luz resultava agradável apesar do seu resplendor branquíssimo não feria a vista, tão pouco na sala existiam ângulos interiores. Estes ingredientes, a luz e a ausência de ângulos, faziam com que Júlio se sentisse como uma borbulha, protegido sem barreiras, com muito espaço entre si, com se estivesse numa sala de cinema circular, se não fosse as janelas era impossível calcular as distâncias. Resultante maravilhoso quando se acostumou aquele espaço. A sala mediria uns 15 metros de diâmetro e teria 5 de altura. Dava impressão de altitude, Júlio pensou que aquilo estava concebido para viagens longas. Júlio pensou que aquela sala sem ângulos ou quinas era bom porque nunca iria acumular sujidade. Desde logo ele verificou que a sala estava imaculada e a limpeza raiava a assepsia. Júlio notou que os tripulantes não produziam nenhum ruído a andar: moviam-se em silencia como um pantera corde-rosa, por isso deduziu que tinham um calçado especial. Júlio produzia um ruído ao pisar com as suas botas e também recordou perfeitamente os ruídos das unhas do cão sobre o piso.

Desde o orifício que desembocava na escada, Júlio observou entre si e a direita um painel de comandos. Estava instalado no centro da sala, tinha a forma inclinada, também guardava certa semelhança com um órgão electrónico. Mediria uns 2.5 m de largo. Sobre ela estava um monitor transparente. A mesa descansava numa plataforma circular do mesmo material branco que era o restante piso. O mobiliário da sala completava-se com outras três mesas, mas mais pequenas que a central, não chegariam a metro e meio de comprimento, sendo muito similares à mesa maior. Estavam na circunferência dianteira da sala, quase encostadas à parede e dispostas ao redor da consola central em ângulos de 90º, uma em frente às outras duas em cada um dos lados. Entre cada mesa havia um 5 a 6 metros. Atrás das consolas havia umas cadeiras raríssimas. Eram altas e de forma cónica com o vértice apontado para baixo. Júlio ficou perplexo para toda a sua vida, comentando que elas tocavam no piso num só ponto. Não compreendia como se podiam ficar de pé. De facto o vértice das cadeiras repousava numa ranhura tão fina que parecia desenhada no piso. Não tinha outro ponto de apoio. No lado direito e também junto à parede encontrava-se grande e quadrado, de uns 4 por 4 metros e destacava-se perfeitamente dos outros objectos visto ser de cor cinzento de chumbo, em oposição às mesas e às cadeiras que pareciam forradas de em skai negro ou outro revestimento parecido.

Por último e por detrás à sua esquerda viu uma mesa rectangular de distinto material que as consolas e as cadeiras. Era metálica e decorada a negro como uma pistola. Da sua parte direita surgiu uma consola quadrada e opaca. Posteriormente soube que aquela mesa era para praticas cirúrgicas. Quanto às janelas, achavam-se repartidas ao longo da cúpula a intervalos de metro e meio. Tinha a forma rectangular com o eixo maior para a vertical e os vidros pareciam fumados. Através delas podiam-se ver perfeitamente as formas e as cores do campo, apesar de ser noite cerrada, como se se tratassem duma binóculos infravermelhos. A escada ou melhor dito o seu corrimão curva-se 180º, inserindo-se no piso. Observe-se a incrível descrição das medidas. Estas descrições só foram possíveis a dezenas de secções de hipnose, tendo logo os desenhadores Carmelo Solar e Vicente Arnás. O Exame do cão Júlio soltou o cão e Mus começou a farejar toda a sala de controlo: as mesas, as cadeiras inclusivamente cheirou os tripulantes. O animal tratava de fazer um reconhecimento daquele lugar. Júlio observou que cheirava intensamente a pinho, um odor que o encantava. Eles não estavam habituados a animais.

O mais alto ficou muito tenso quando Mus o cheirava, como se desconhecesse o tivesse medo das reacções do cão. Como Júlio tivesse medo que Mus urinasse para marcar o seu território deu-lhe um grito “Mus”, grito que provocou nos seus anfitriões uma grande surpresa. Os três voltaram-se com uma ligeira expressão de surpresa. A comunicação fonética começou, não podia ser estranho, porque mais tarde Júlio havia de verificar que eles também a empregavam, talvez os impressionou a palavra Mus como se tivesse algum significado na sua língua ou lhes seria familiar. Enquanto Júlio se recompôs da impressão que causou na sala, perguntou-lhes donde vinham, ao que eles responderam com sinais mentais, eram muitos, mas Júlio recorda principalmente dois que recebia com maior intensidade.

O primeiro parecia um 3 e um 7 unidos e o segundo se assemelhava a dois parêntesis opostos e entrelaçados por um par de rectas; na realidade, este recordava ligeiramente o famoso signo de UMMO )+( . Júlio insistiu, de onde é que vêm, eles repetiam “ 3, 7, quadrado”, quer dizer o símbolo parêntesis. Também crê ter captado uma espécie de Lambda e um jota ao contrário, como um traço vertical.

Depois de esta conversa eles pediram permissão para examinar o cão. È preciso notar que o seu tratamento foi sempre cortês, demonstrando um paternalismo não isento de paciência e compreensão. Sabia que eles estavam ali para protege-lo e para dar resposta às suas perguntas (embora ele não entende-se muitas das respostas). A sua atitude não era de superioridade, somente pareciam ter a chave do conhecimento. Isso notava-se na sua atitude segura e no seu aprumo. Através do envio de imagens mentais perguntaram-lhe para examinar Mus. Júlio acedeu de imediato, convencido que não iam fazer-lhe nenhum mal. Dirigiram-se todos à mesa de cirurgia e ali o mais alto dos três agarrou Mus e colocou na mesa, colocando o antebraço por baixo do corpo. O pobre Mus, aterrorizado, não ofereceu nenhuma resistência. Ficou completamente imóvel do outro lado do ecrã negro.

Júlio supôs que iam examinar o cão e ia aparecer a sua imagem no ecrã , mas tal não aconteceu, não apareceu imagem nenhuma no ecrã. Após voltar Mus de costas ( Mus estava deitado e não em pé) o praticante ( logo iremos ver porque Júlio lhe chama esse nome) , colocou o cão na parte central da mesa . Depois tirou um seringa e extraiu sangue duma pata de Mus com uma perícia admirável. Esta seringa parecia metálica, e tinha a cor de chumbo cinzento, era estreita e não muito larga, parecia ter uns 10 cc. A agulha fina e curta formava um todo com o resto. Ao lado possuía uns orifícios para introduzir o dedo médio e indicador e outro maior no final do êmbolo para introduzir o dedo polegar. O seu aspecto era bastante normal. Aquilo que surpreendeu Júlio foi a facilidade com que o «praticante» encontrou a veia ; foi direito a ela. Júlio não se recorda de qual pata foi retirado o sangue. Depois guardou a seringa num cilindro metálico de cor negro mate, que retirou detrás da mesa.

Depois disseram-lhe mentalmente: «Já que estás aqui passa tu também» (o que indicava que o verdadeiro objectivo era o cão). Fizeram-no passar então por detrás do ecrã . Após uns instantes, indicaram-lhe que era tudo.

Finalmente, acompanhado pelo mais baixo, foi conduzido à mesa central. A mesa e as cadeiras O seu acompanhante, sem dúvida o encarregado de velar pela sua segurança, enviou cortesmente a Júlio um «senta-te», ao mesmo tempo que lhe indicava uma cadeira da mesa central. Júlio obedeceu, embora com muito cuidado, com medo que aquele estranho assento caísse.

A cadeira triangular limitou-se a oscilar de modo agradável. Então o seu amigo sentou-se na cadeira à direita. Em frente a eles estava o painel central que Júlio pode examinar. Nada mais sentar-se, o acompanhante de Júlio pôs-se a trabalhar e para grande assombro de Júlio levantou o braço esquerdo da cadeira e lá estavam uns botões prateados que carregou e a cadeira começou a correr velozmente através das linhas do chão. Estas cadeiras eram altas, talvez com um metro e meio de altura. Pareciam forradas do mesmo plástico, o skai negro que as mesas tinham e resultavam cómodas. As costas da cadeira tinham a forma dum travessão que as senhoras usam para segurar o cabelo, sobressaía por cima da cabeça e envolvia o ocupante por todos os lados; os braços recordavam a cadeiras de alguns cinemas, com cantos curvos.

Apesar das cadeiras apresentarem uma forma cónica, o assento tinha uma forma quadrangular de uns 60 cm de lado. Júlio chegava com os pés ao chão porque estava mesmo na borda da cadeira.

Entretanto o acompanhante encostava as costas à cadeira e chegava comodamente com as mãos ao painel de controlo inclinado. O seu acompanhante apertava os botões e movia-se com uma rapidez e segurança pasmosa. Actuava sem olhar para o ecrã. Júlio recordava-lhe uma boa dactilografa pela velocidade e precisão com que os seus dedos largos e finos se moviam apesar da palma da mão estar quieta às vezes ele girava a cadeira, outras deslocava-se à volta da mesa observando os indicadores Era tudo um espectáculo e Júlio estava impressionado.

A altura da mesa, ecrã incluído, devia ser 1,5 m e de comprido 2,5 a 3 metros. Era maior que as consolas laterais, possivelmente. Da parte anterior aparecia uma superfície saliente que teria um metro de largura e sobre ela encontrava-se os comandos, botões e sensores e indicadores. Ao lado da mesa havia guias e botões, entretanto no centro encontrava-se os pilotos. As guias eram de cor negro, muito finas e terminavam num comando tronco-piramidal niquelado. Havia nove guias, dispostas em três filas. Por cima delas nove botões ou sensores tronco cónicos de cor vermelha com uma depressão central de uns 2 cm de diâmetro e pareciam piscar continuamente mudando de cor da seguinte maneira; uns tornavam-se âmbar, outros amarelos, vermelhos, verdes, azuis e brancos…

O Homem do Monitor

Em todo este tempo, Júlio agarrava pela coleira do Mus, colocado à esquerda da sua cadeira. Mus era a única união com o mundo de lá fora. Tranquilizava-o senti-lo ali ao seu lado. Quanto à espingarda, deixou-a apoiada no braço esquerdo da cadeira. De repente soou pela sala um apito, que ocasionou um grande alarido entre os tripulantes. O mais alto que até então havia permanecido junto a uma mesa cirúrgica, foi rapidamente sentar-se em frente à mesa de comandos. Os três pareciam absorvidos com os seus monitores. O som surgia de todas as partes como a luz. Por detrás daquele «ti-titi » intenso o monitor começou a adquiri tons leitosos, até atingir a cor branca. Então apareceu no monitor um individuo como eles mas de mais idade. Repentinamente começaram a falar entre si, nesse mesmo momento notou que cortaram a comunicação telepática. As conversas duraram cerca de 3 minutos. Primeiro tomou a palavra o homem do painel de comando, pelo tom de voz parecia ser o chefe, os outros escutavam muito atentos e imóveis, notava-se que estavam perante um superior hierárquico. Ao princípio, só falava ele, depois conversou com o acompanhante de Júlio que era seguramente o responsável da sala. Os outros intervieram menos.

O ser do painel de controlo parecia ter uns 55 a 60 anos, tinha rugas típicas dum homem de idade. O idioma que falavam causou a Júlio uma cacofonia desagradável, comparou-o a uma mistura de alemão e chinês Júlio foi confrontado pelos investigadores que lhe apresentaram diversas gravações de línguas terrestres e disse que o coreano era o mais igual à cacofonia dos seres). Alemão pelo seco e gutural e chinês porque era monossilábico. Parecia que aquela gente expelia pela boca as palavras, os fonemas saíam como uma tosse. Não modulavam, parecia que as palavras saíam do estômago, como os gritos que dão em artes marciais orientais. Não emitiam vocábulos com as cordas vocais, parece que estes surgiam impelidos pelo diafragma, além do mais parece que eles tinham problemas na laringe. (Estes são também uma das características ummitas que apresenta este caso extraordinariamente). Parecia que custava começar cada nova frase e de vez enquanto davam um gritinho, como fazem os Franceses como se afogassem. Entre os sons que Júlio se lembra graças à hipnose, havia consoantes fortes, «kas», «erres», «pes», todas elas pronunciadas muito guturalmente. Também existiam vogais e ditongos do tipo «au», ou «ue», que pareciam autênticos latidos canino. O tom de voz era monocórdico, seco e desagradável. De repente a figura do chefe desapareceu do ecrã e voltou a estar transparente. Júlio entrou de novo em contacto telepático. Ao desaparecimento do chefe seguiu-se uma actividade intensa na sala. Todos carregavam em botões como loucos. O seu acompanhante parecia supervisionar o trabalho dos outros dois. Parecendo que cada um observava os demais. Havia compenetração e espírito de equipa entre a tripulação, estava bem claro.

A plataforma central pôs-se a girar, movendo-se no sentido contrário dos ponteiros do relógio (sinistrogiro). Júlio acabou por ficar a olhar o computador. Logo voltou à sua posição primitiva. Foi então que Júlio escutou um forte som na sua cabeça e a partir daqui, abre-se uma grande brecha nas sua recordações, que só voltam muito depois. Como muitos abduzidos Júlio apresenta uma amnésia dentro da amnésia, quase impossível de penetrar através da hipnose. Tratasse de um poderoso bloqueio mental, destinado a protegê-lo de uma experiência que se fosse recordada a nível consciente, poderia ser-lhe traumático. Este espaço em branco, parece que inclui um completo exame fisiológico, com extracção de sangue e esperma, assim como uma viagem à volta do planeta. As gravações das secções hipnóticas, que logo ele ouviu, serviram para disparar as suas recordações subconscientes. No entanto essas recordações traumáticas somente puderam sair com infinito cuidado e tinham que parar, quando as suas pulsações atingiam 120 por minuto.

A ESPINGARDA E OS CARTUCHOS

Houve uma segunda aparição do chefe no ecrã, precedido do mesmo tipo de apito. Júlio pôde verificar que aquele individuo teria uns 65 anos, e que os tripulantes da nave tinham entre os 35 anos e os 40 anos. A imagem no ecrã voltou a sumir-se e o contacto telepático voltou. O que estava ao seu lado, perguntou-lhe pela espingarda, queria saber o que era. Júlio começou a explicar-lhes e ele então chamou os demais. Reuniram-se os quatro na parte esquerda da mesa central, junto à estrutura que segurava a ecrã. O que é isto? Perguntaram-lhe. Júlio respondeu que era uma espingarda. Para que serve? Júlio disse-lhes que era para caçar animais. Então o mais alto deles fez um gesto de desagrado, quase imperceptível, como dizendo que selvagens. Depois pediram-lhe a espingarda para a examinar que passou de mão em mão, sendo vista com grande curiosidade, comentando algo como “ Mas que coisas fazem esta gente”. Júlio não temeu em nenhum momento que lhe ficassem com a arma. Sempre soube que era boa gente. Antes de lhes entregar a espingarda descarregou-a não fosse eles darem um tiro. Quando viram cair os cartuchos no chão, ficaram muito interessados tendo Júlio explicado que se tratavam de munições, inclusivamente abriu um para que vissem como era constituído por dentro. Pediram-lhe se podiam ficar com o cartucho, tendo o mais alto trazido um cilindro metálico, onde guardaram o cartucho aberto assim como um intacto que lhes entregou. Para abrir o cartucho Júlio utilizou a sua navalha, ao princípio não a encontrava, estava no bolso traseiro. Vê-se assim que eles examinara-lhe a navalha quando ele esteve inconsciente ou que ela tinha caído do bolso, quando lhe retiraram a roupa. Então Júlio teve um desejo profundo de fumar, visto ter tocado no maço de tabaco quando procurava a navalha. Júlio era um grande fumador e estava há duas horas sem fumar, decerto que Júlio desconhecia tudo sobre a sua viagem. À pergunta de Campaña donde estava a cinza, Júlio disse que ela estava no santo chão, parecendo nada o importar com isso, entretanto eles pediram-lhe um cigarro que introduziram no mesmo cilindro. Júlio seguindo o seu costume, convidou o mais alto para fumar um cigarro tendo ele recusado com um gesto sério.

De imediato começaram a fazer-lhes perguntas sobre o funcionamento da nossa sociedade. Júlio disse-lhes que existiam dois blocos ideológicos e falou-lhes da nossa forma de governo. Estranhou-lhe que gente tão bem informada e inteligente, fizesse aquele tipo de perguntas tão simples. Eles mexiam-se muito bem no exterior e deviam saber, se não tudo, quase tudo sobre nós. Verdadeiramente a sua admiração por eles decresceu bastante, na proporção que aumentava o receio, questionando-se se não estariam a tentar dar cabo de si. Eles deviam dar conta dos seus receios e depois da conversa comunicaram-lhe amavelmente que podia ir-se embora. Júlio não esperou que lhe dissessem duas vezes agarrou Mus, colocou a espingarda ao ombro, desceu pela escada de piscina. A descida foi bem pior que a subida, teve que soltar o Mus quase desde lá de cima. Regressou ao exterior acompanhado por aquele que não se havia separado dele nem um momento. Ambos percorreram o corredor até chegar ao ascensor e ali se despediram.
Este decepcionou um pouco Júlio porque pensaria que baixasse com ele até ao campo. Depois soube o porquê daquela atitude, visto verificar que já era de dia e porventura a luz prejudica-lo-ia. (Ver o caso inglês de Aveley e nos visores que protegem da luz do sol).
Júlio entrou no cilindro, fechou-se a porta e desceu com o Mus. Passados poucos segundos o elevador parou e a porta de metal elevou-se. O sol quase o encadeou. Fez o caminho de volta para o carro meio zonzo, como se fosse um autómato. Chegou ao carro sem problemas, já lá estava esperando Mus que tinha saltado do elevador como um raio. Júlio sentou-se dentro do carro tentando serenar-se. Verificou se o motor funcionava assim como as luzes e o rádio, tudo estava bem.

Pensou que tudo não tinha passado dum sonho « Provavelmente cheguei até aqui e deixei-me dormir» contudo recordava a experiência como se tivesse sido real com uma nitidez assombrosa. Pensou em voltar à zona de aterragem para verificar se a nave ainda ali estava, mas não o fez por medo, se a nave ali não estivesse temia ficar louco e se ali estivesse temia ser levado de novo. Assim continuou dentro do carro. Acredita que esteve ali sentado até às doze, foi buscar o rádio que estava debaixo da lona. Alguma vez teria que partir e por fim vendo que não se passava nada, arrancou em direcção a Madrid. Ia a conduzir muito devagar, deteve-se à esquerda da estrada, poucos quilómetros antes de Torremocha del Campo, província de Guadalajara. Necessitava de pensar, pegou na espingarda e no Mus e foi dar um passeio com o Mus.

Passado uns momentos, dispôs-se a comer e na tentativa de buscar a navalha, descobriu que só tinha três cartuchos, no bolso, faltavam-lhe dois que havia entregue no ovni. Nervoso, chamou Mus e verificou algo que lhe fez gelar o sangue, Mus tinha um pequeno orifício típico resultante duma extracção de sangue com um agulha, logo … tudo estava certo! Então tratou de esquecer os acontecimentos anteriores e começou a caçar, como se fosse um mecanismo de defesa. De tão nervoso que estava disparou todos os tiros que tinha, permitiu-lhe voltar a casa com mais duma dezena de codornizes. Entretanto o encontro de Júlio, não terminou aqui como os investigadores haviam pensado até que em Fevereiro de 1980, no decorrer duma secção hipnótica pelo doutor Jesus Duran, descobriu-se que Júlio havia voltado novamente com os tripulantes. No final desta secção Júlio caiu no forte período de resistência e foi impossível obter mais informações. Júlio Fernández morreu num acidente de viação em 1992, cinco anos depois numa estrada muito próxima dos acontecimentos acima relatados. Segundo o relatório da autópsia já estava morto quando se deu o acidente. O seu irmão Manolo havia falecido pouco tempo antes dum enfarte do miocárdio.