Le Bourget e Futuroscope

O recinto estava repleto de gente a falar Francês e numca ouvi um só palavra em Português excepto nos stands da OGMA e da TAP
Na OGMA (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico) Fernando Renda esclareceu que a participação deste organismo neste evento tinha como objectivo a divulgação dos serviços que prestavam como manutenção de aviões C130 e a promoção de um conjunto vasto de outros serviços dentro da mesma área.

A exposição dividia-se em três partes, os pavilhões individuais no exterior, os stands no interior dos grandes pavilhões e pequenas parcelas ao ar livre onde era colocado material diverso, como por exemplo, pequenos aviões, caças de treino etc.
Havia também cá fora imensas tendas onde se vendia bebidas (coca-cola a 3 €), gelados, bonés do Aeroclube Francês, aviões em esferovite, aviões e helicópteros feitos com latas de refrigerantes no Vietname, muito lindos e bem feitos, etc.

A entrada custava 12 Euros, e nas ruas adjacentes não havia espaço para estacionar o carro. Nas imediações havia centenas de polícias a regular o trânsito. Dentro do recinto um sem número de polícias masculinos e femininos continham os visitantes dentro dos perímetros reservados.

No recinto estava um mar de gente e um oceano de calor, o sol alvejava-nos a cabeça com os seus dardos incandescentes e tudo valia para nos defender dele. Havia quem trouxesse como eu um boné, outros traziam um chapéu de chuva, outros punham os programas do evento tapando a vista e outros faziam chapéus com jornais. Pelo chão havia uma quantidade imensa de garrafas de água, embalagens de gelados e papéis de toda a ordem. Nos bares as filas eram enormes para comprar bebidas.

O barulho de aviões em exibição era uma constante, fantásticos loops, apertadas manobras dentro do perímetro da própria pista, para que os espectadores pudessem ver e os compradores pudessem ver as performances dos aparelhos, até aos lentos aviões de passageiros que pesadamente, tentavam dar o melhor aspecto da sua manobralidade.

O A380 fez algumas exibições e aqui via-se um orgulho naqueles espectadores, parece que era algo de si estava ali no ar, sentiam-se como tendo feito parte da construção daquele avião, e logo que terminou as manobras do A380 muita gente batia as palmas, como forma de manifestar o seu agrado.
Outros aviões também demonstraram as suas potencialidades, o A340, o A318.

Também outros aviões mereceram os agradecimentos do público, como o caça europeu Eurofihter que ruidosamente e dentro do perímetro da pista fez exibições de muitos Gs para o piloto, o seu barulho feria-nos o peito com as ondas de choque sonoras. O piloto Maurice Kenia, mostrava aqui a sua melhor capacidade de persuasão.

Também a Embraer, produtora de aviões Brasileira, fez exibir os seus dois modelos 175 pilotados pelos capitães Bacci e Kassiadis e o modelo 195 pilotados pelos capitães Jordão e Proust.

Um outro avião fez as delícias dos espectadores, com as suas exibições devido à sua idade, um Locked Constelation. Este avião foi o iniciador das viagens populares em todo o mundo

Aqui entra uma outra componente tecnológica do lado dos espectadores, cada um de nós trazia uma máquina fotográfica digital e quando algum avião fazia exibição entrava em acção dezenas de milhares de máquinas fotográficas do mais alto gabarito, cujo ruído era perceptível e familiar. Também imensos ecrãs transmitiam as imagens do acontecimento do momento comentadas em Francês e Inglês.

Alguns VIPs tinham a felicidade de poder sentar-se no cokpit de novíssimos jactos, com formas ultra aerodinâmicas.
Outros com o seu cartão VIP tinham acesso ao jactos executivos Avanti e origem italiana.

Dentro dos grandes pavilhões o ruído era bem menor e aí a alta tecnologia destacava-se. Havia de tudo, vidros para as janelas, giroscópios à prova de vibrações, peças para as turbinas, cafeteiras para servir bebidas quentes dentro dos aviões, cablagens diversas, cadeiras para aviões, pneus, baterias especiais, auto insufláveis para os passageiros que tenham a infelicidade de cair no mar e um conjunto vasto de serviços para o serviço de transporte aéreo.

Na pista também havia pavilhões e a entidade que mais se destacava era IAI Israel Aircraft Industries com oito pavilhões e cerca de 800 m2 de material, o seu material era superior a todos os outros. Tinham um pavilhão só dedicado à demonstração do seu material, utilizando uma projecção 3D e para tal tínhamos que usar uns óculos especiais.
Infelizmente tudo o que apresentavam era só para a guerra. Drones, sistemas anti mísseis, mísseis, bombas de todas as formas para serem lançadas dos aviões. Tinham trazido de Israel um avião de treino de dois lugares chamado Javelim – Jet trainer

Na pista havia também vários aviões antigos e ainda com a capacidade de voar, como um Huricane, um DC3, um Mirrage IV feito em 1964, um Curtiss americano. Outros aviões faziam despertar o nosso interesse como os planadores sem motor com uma envergadura de 23 metros, podendo atingir 270 Km/hora, e com um raio máximo de acção de 1720 Km.

Um ultra moderno Boing 777, sem permitir que o público acedesse lá dentro, servia de abrigo contra os raios solares aos espectadores que assistiam às exibições aéreas. Também a Força Aérea Inglesa trouxe o novo helicóptero EH101 para busca e salvamento, precisamente igual aqueles que a Força Aérea Portuguesa recebeu recentemente.
De Itália estava presente um avião de treino de dois lugares da Era Macchi, o M346 e simpaticamente o seu pessoal de apoio distribui Pins em forma de caça.

Os EUA vieram em força e eram o maior expositor em termos númericos, trouxeram 10 aviões, entre eles um C130, um Hawkeye E-2C cujas asas se dobram e operam nos porta-aviões como aviões radar com uma tripulação de 5 homens, também veio as ultimas três novidades da Gulfstream da General Electric, também os EUA trouxeram um enorme drone.

Os drones foram assim o prato forte deste certame, visto que desde Israel, com o seu mosquito equipado com um motor eléctrico cuja carga dura uma hora, até a Força Aérea Francesa e aos EUA, apostaram nesta novidade da guerra à distância em vez de se cuidar da paz.

Por fim um palavra de desânimo para nós amantes da ovnilogia, nem uma só referência aos ovnis. Os EUA poderiam ter trazido o TR-3B.

Futuroscope

No dia seguinte desloquei-me a Poitiers, a meio caminho entre Paris e Bordéus, verdadeira Meca dos neófitos das tecnologias e dos amantes dos simuladores.
Começei por ver o filme La Légende de L’Étalon Noir num ecram a 180º IMAX, foi uma sensação das mais incríveis, parecia que nós estávamos dentro do ecrã.

De seguida foi o filme Coleurs Brésil, num ecrã a 360º, onde se podia ver diversas paisagens Brasileira desde o Sr. do Corcovado até à Selva da Amazónia, passando pelo chão do Sambometro no Rio de Janeiro.

Vieram a seguir simuldaores como aquele que projectava o filme Le Defi D’Atlantis, num ecrã IMAx hemiferico de 900 m2.

Le meilleur Dynamique era um outro simulador mais avançado da 3ª geração dava-nos a impressão duma realidade em que nós espectadores éramos tratados como uma bola dentro uma máquina Flipper. Nós que estávamos sentados na nossa cadeira simulador, sofríamos o mesmo que uma bola sofre na máquina Flipper e para ver esse filme usava-se uns óculos 3D, éramos completamente abanados, deixando o espectador com poucas saudades de voltar lá outra vez aquele simulador.

Seguiram-se mais simuladores, destacando por fim aquele que achei mesmo bom, trata-se do filme Space Statio 3D, para ver este filme temos de utilizar um óculos de cristais líquidos e ficamos mesmo com impressão de estar a bordo da ISS – estação espacial internacional.
Mais uma vez aqui se verifica que a ovnilogia não é tratada nem uma única vez citada.

Aconselho vivamente aos internautas leitores de APO irem visitar o Futeroscope em Poitiers – França

Luís Aparício