Levitação Casimir já é uma realidade

Esse efeito é responsável, por exemplo, pela aderência da lagartixa em diversas superfícies. Pesquisas mostraram que, com materiais de certa permissividade e permeabilidade ou com uma certa configuração, o Efeito Casimir pode ser repulsivo, pois os físicos descobriram, utilizando-se de lentes especialmente construídas, como reverter o efeito para, ao invés de atrair, repelir objectos.

Isso abre um leque enorme de possibilidades, desde o melhoramento dos comboios com trilhos magnéticos, que por exemplo existem entre o aeroporto de Pequim e o centro da cidade, que funcionam praticamente sem atrito, comuns no Japão, até a invenção de várias máquinas, que teriam sua dinâmica totalmente alterada com peças e mecanismos que podem usar a flutuação. Os cientistas esperam utilizar a técnica primeiramente para reduzir a fricção em nano máquinas e já estão inventando maneiras de “ligar e desligar” a força de atracção e repelência, um factor chave para fazer com que o mecanismo nanométrico trabalhe sem atrito.

Dr. Thomas Philbin, pesquisador do projecto, afirmou que até o momento o processo só pode ser realizado com pequenos objectos, mas estuda a possibilidade futura de aplicação em objectos maiores e até em pessoas, pois o efeito das lentes é poderoso e abre a possibilidade de que, futuramente, alguém levite de modo totalmente controlado. Quem sabe se não está longe o dia de possuirmos dispositivos especiais, como sapatos flutuadores, que nos façam levitar?

O efeito Casimir é causado pelo fato do espaço vazio ter flutuações do vácuo, pares de partículas virtuais-antipartículas virtuais que continuamente se formam do nada e tornam ao nada um instante depois. O espaço entre as duas placas restringe o alcance dos comprimento de ondas possíveis para estas partículas virtuais e então poucas delas estão presentes dentro desse espaço.

Como resultado, há uma menor densidade de energia entre as duas placas do que no espaço aberto; em essência, há menos partículas entre as placas que do outro lado delas, criando uma diferença de pressão, que alguns erroneamente chamam energia negativa mas, que realmente não é senão devida a uma maior pressão fora das placas que entre elas, o que as empurra uma contra a outra.

Um efeito análogo ao Casimir foi observado por marinheiros franceses no séc. XVIII. Onde dois navios balançam de um lado a outro com forte maré, mas vento fraco, e os navios se aproximam mais que rudemente, a interferência destrutiva elimina a maré entre os navios. O mar calmo entre os navios tem uma densidade de energia menor que a maré de cada lado dos navios, criando uma pressão que pode empurrar os navios para mais perto de si. Se eles se aproximam demais, o cordame dos navios pode se emaranhar. Como uma contramedida, um livro do início de 1800 recomenda que cada navio deve mandar uma barco remado por 10 a 20 marinheiros para afastar os navios.

O efeito Casimir foi medido em 1997 por Steve K. Lamoreaux do Los Alamos National Laboratory e por Umar Mohideen da University of California at Riverside e seu colega Anushree Roy. Na prática, em vez de usar duas placas paralelas, que requeriria alinhamento perfeitamente acurado para garantir que estariam paralelas, o experimento usa uma placa que é plana e outra placa que é parte de uma esfera com um grande raio de curvatura.

Fontes:
http://blog.wired.com/gadgets/2007/08/levitation-disc.html
http://www.mensageiro.com.br/html/index_ciencias.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Casimir
http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/v22_122.pdf
http://www.lifeinthefastlane.ca/breaking-methods-to-levitate-discovered/uncategorized
http://lanl.arxiv.org/abs/0707.4390
http://100grana.wordpress.com/2007/08/10/o-efeito-de-levitacao-nao-sera-mais-ficcao/