Na passagem do século

Nessa época, no céu de Sacramento subiram e desceram luzes multicores em profusão, ao passo que, em Oklahoma o povo pôde admirar um veículo de cerca de 50 metros de comprimento, com asas semelhantes a rotores e um gigantesco holofote na sua parte inferior, perscrutando o solo.

No entanto, tais objetos voadores não foram observados apenas em terra firme, mas igualmente em alto-mar, onde as tripulações de navios avistaram bolas luminosas ou objetos em forma de disco que surgiam das águas e subiam aos ares. Nas costas do Japão e da China, freqüentemente foram vistos “discos” ou “rodas” estranhos, observados na Europa apenas uma vez ou outra.

Nos meses de março e abril, os relatos de tais aparecimentos aumentaram desproporcionadamente, continuando a concentrar-se nas regiões entre os Estados do Texas e Michigan. Por exemplo, o Daily Texarkanian, um jornal de Texarkana, Arkansas, noticiou, em 25 de abril de 1897, uma aventura fantástica vivida pelo Juiz Lawrence A. Byrne; era a história contada por um cidadão merecedor de toda a confiança dos seus conterrâneos: “Na sexta-feira passada, o juiz conferiu, no local, dados geodésicos levantados em um braço lateral cheio de lama do rio McKinney.

Ao proceder àquele levantamento, ele chegou a uma clareira, onde, para sua grande surpresa, deparou com um objeto estranho. Ao se aproximar, percebeu que se tratava de um daqueles objetos voadores dos quais ultimamente os jornais haviam falado com tanta freqüência. Byrne avistou três homens barbudos, de estatura excepcionalmente baixa, traços fisionômicos mongóis, conversando numa língua alienígena. Os três homenzinhos olharam para Byrne e, quando notaram sua perplexidade, fizeram-lhe sinais com as mãos, convidando-o a segui-los para o interior do objeto voador, que, segundo Byrne, era de alumínio”.

Será que era um sinal daqueles tempos o fato de as então chamadas “testemunhas de contato” terem sempre descrito a tripulação de tais objetos voadores como homens barbudos? Aliás, foi o Courier Herald, de Saginar, que publicou a história mais divertida de todos os “contatos” registrados naquele ano de 1897:

“Os moradores de Linn Grove declararam categoricamente que, a partir de agora, não duvidavam mais da existência de uma máquina voadora, pois, na véspera, foi observado no céu um grande objeto que se movimentava lentamente, em direção norte, e que, aparentemente, queria aterrizar. De imediato, James Evan, comerciante, F. G. Ellis, vendedor de arreios, Ben Buland, corretor, e mais outros dois homens subiram numa carroça e se dirigiram ao local em que aquele estranho objeto havia aterrizado, cerca de 6 quilômetros ao norte da cidade.

“Ao chegarem a aproximadamente 250 metros do objeto, este decolou e retomou o vôo, para o norte. Antes disso, porém, alguns dos seus passageiros ainda jogaram duas pedras grandes na direção dos seus perseguidores; as pedras foram levadas para a localidade, a título de troféus, e lá exibidas ao público. Linn Grove estava em grande alvoroço, pois quase todos os habitantes observaram o objeto, quando este sobrevoou o local.”

Em 15 de abril, o Argus Leader, de Sioux Falls, Dakota do Sul, bem como vários outros jornais, noticiaram o seguinte fato, na coluna Springfield, Illinois:
“Os trabalhadores rurais Adolph Winkle e John Hulle declararam, sob juramento, que a cerca de 3 quilômetros de Springfield teria aterrizado um objeto voador, para consertos de algo parecido com aparelhos elétricos.

Esses trabalhadores afirmaram ainda que teriam conversado com ocupantes daquele objeto, dois homens e uma mulher, quando souberam que, no espaço de meia hora, o objeto teria voado os 160 quilômetros, aproximadamente, que separam Quincy de Springfield”.

Em 8 de maio de 1897, o Xerife J. Sumpter Jr. e seu assistente John McKenire, do condado de Garland, Arkansas, assinaram, sob juramento, um protocolo, relatando aquilo que haviam presenciado dois dias antes.

À noite, quando patrulhavam a cavalo a região na direção norte, repararam numa luz brilhante no céu, que, de repente, desapareceu. Como os dois policiais estavam à procura de marginais, evitaram levantar a voz, para não chamar a atenção. Quando cavalgaram em silêncio por algum tempo entre as colinas, a luz reapareceu repentinamente — desta vez, porém, já se encontrava bem mais próxima ao solo.

Os policiais pararam e observaram como a luz desceu progressivamente para, afinal, sumir atrás de uma colina. Então, tornaram a cavalgar e seguiram, um quilômetro mais ou menos, na direção da luz desaparecida, quando, de repente, os cavalos se espantaram e recusaram-se a prosseguir.

Foi quando os dois policiais avistaram, a cerca de 35 metros, duas pessoas carregando luzes; eles apontaram suas Winchesters e gritaram:
“Quem está aí? O que está fazendo aí?”
Com uma lanterna na mão, apareceu um homem baixo, barbudo, respondendo que estava fazendo uma viagem de avião, em companhia de um casal de jovens.

Os policiais distinguiram nitidamente os contornos de um objeto em forma de charuto, de uns 180 metros de comprimento, parecidíssimo com um objeto voador cuja foto havia saído outro dia nos jornais. Eles perguntaram ao estranho indivíduo por que a luz brilhante do avião estava sendo intermitentemente ligada e apagada; este informou que, desta maneira, estavam economizando energia de propulsão.

Como os policiais estivessem em serviço, continuaram sua patrulha e quando, quarenta minutos depois, voltaram para o local do contato com o estranho objeto voador, não havia mais ninguém. Tampouco eles viram ou ouviram quando e como se deu a decolagem ao deixar a região.

Cabe aqui uma reflexão: será que em tudo aquilo não houve o dedo misterioso de um inventor sinistro? No entanto, em caso afirmativo, caberia perguntar onde teriam ficado o inventor e a invenção.

Se tal idéia procedesse, poderia ter-se tratado tão-somente de um precursor do Conde Zeppelin, pois o primeiro dirigível rígido, o LZ 1, levantou vôo somente alguns anos após esses acontecimentos; seu comprimento era de 128 metros, possuía dois motores Daimler de 15 HP cada e atingiu a velocidade máxima de 32,4 quilômetros por hora.

É provável que alguns anos antes os jornais já tivessem publicado esboços ou esquemas de aeróstatos; contudo, convém lembrar que o primeiro Zeppelin era de construção bastante rudimentar, em comparação com os objetos voadores descritos.

Há muitos elementos que apóiam a tese segundo a qual, em 1897, houve autênticos aparecimentos. Mesmo dando o devido desconto à fantasia dos observadores, sem dúvida incentivada pelas diversas notícias publicadas na imprensa contemporânea, os depoimentos prestados em diversas regiões dos EUA, a respeito de um objeto voador, revelam uma estranha coincidência.

Todos eles mencionam objetos em forma de charuto, de alumínio ou metal semelhante, com agregados de propulsão; e, segundo as descrições, esses objetos pairam no ar, decolam verticalmente, voam a altíssimas velocidades e emitem uma luz brilhante, ofuscante.

Da mesma forma, ao acompanhar no mapa o noticiário de tais aparecimentos, surge um fato concreto: os locais de aparecimento e a seqüência cronológica dos respectivos relatos constituem roteiros de vôo em linha retíssima, cobrindo distâncias extensas.

Mas, se pelos relatos citados o leitor for levado a considerar esses aparecimentos em massa de objetos voadores desconhecidos um problema exclusivamente americano, estará cometendo um erro, pois não foi isso o que aconteceu.

No início da década de 30, surgiram grandes máquinas voadoras, de cor cinzenta, sem qualquer identificação, nos céus da Europa, no espaço aéreo escandinavo. Com freqüência, apareceram durante violentas tempestades sobrevoando cidades, ferrovias, praças, fortes e navios, em alto-mar, cujos motores chegaram a parar.

Muitos relatos daqueles aparecimentos mencionaram máquinas enormes, dotadas de uma série de motores; e um grupo de cinco testemunhas afirmou ter avistado um avião gigantesco, de oito hélices. Naquela época, quase não havia aviões particulares na Escandinávia, e os grandes aviões comerciais estavam ainda em fase de projeto. Em 1926, o Almirante Byrd e Floyd Bennet viajaram a bordo de um Fokker trimotor, de Spitzbergen, Noruega, para o pólo norte.

Esse vôo causou grande sensação na Escandinávia e a imprensa publicava constantemente as fotos desse avião. Quando, seis anos depois, as misteriosas máquinas voadoras surgiram nos céus dos países escandinavos, muitas pessoas que depuseram a esse respeito compararam-nas com o Fokker trimotor de Byrd.

Aliás, aqueles relatos mereceram toda a consideração da Força Aérea sueca, que, em 1934, despachou 24 biplanos para regiões ermas, pouco povoadas, a fim de detectar os “aviões fantasma” lá avistados. Foi organizada uma extensa ação de buscas, em terra, mar e ar, para verificar o fenômeno; contudo, essas missões eram arriscadas e árduas, a ponto de dois pilotos suecos terem sofrido acidentes com seus aviões.

Piteå, 22 de janeiro de 1934.
O pároco auxiliar, efetivo de Långtrask, relatou que nos últimos dois anos tornou a avistar misteriosas máquinas voadoras nos céus da região. Seriam os já conhecidos “aviões fantasma”, dos quais, no último verão, um deles teria sobrevoado o local nada menos de doze vezes, seguindo sempre na mesma direção sudoeste-nordeste. Embora em quatro ocasiões o aparelho voasse a baixa altitude, não foi possível distinguir nele qualquer identificação, sigla ou emblema.

Contudo, quando sobrevoou a casa da paróquia, a uma baixa altura, durante alguns minutos, puderam ser observadas três pessoas no interior da cabine do avião. O pároco auxiliar informou ainda que o aparelho era de cor cinzenta, com apenas duas asas, uma à direita e outra à esquerda.

Até dezembro de 1933, a imprensa praticamente não havia noticiado aquele fenômeno. Uma das primeiras notícias a respeito data de 24 de dezembro de 1933 e procede de Kalix. Dizia que, na véspera do Natal, aproximadamente às 18 horas, apareceu um objeto voador misterioso proveniente de Bottensea; sobrevoou Kalix e desapareceu na direção oeste.

Os jatos de luz emitidos pelo objeto perscrutaram a região.
A 27 de dezembro de 1933, o New York Times publicou uma reportagem bem detalhada e explícita de um misterioso objeto voador que, com um ruído ensurdecedor, imitando o ribombar do trovão, deu voltas nos céus de Nova York durante uma fortíssima tempestade de neve.

Segundo essa reportagem, às 9:30 horas do dia 26 de dezembro, em toda a Manhattan ressoou o ruído dos motores de um avião que atravessava uma violenta tempestade de neve. Depois de a notícia ter sido divulgada pela NBC, foram recebidos telefonemas de todos os lados e o New York Times escreveu:

“Após a análise dos diversos telefonemas, é válido supor que o avião penetrou até a 72nd Avenue, circulou sobre o Central Park e, em seguida, continuou voando em direção à 23rd Avenue, até o Bronx”.

Com isso voltou a calma, mas, somente até as 2:25 horas, quando se ouviu novamente o ronco de motores sobre o Riverside Drive e a 155th Avenue.

Os aeroportos do distrito metropolitano anunciaram o cancelamento de todos os vôos programados para aquele dia, devido ao mau tempo; tampouco houve a queda de um avião perdido na tempestade de neve.

Em 1933, os aviões ainda não eram capazes de levantar vôo sob condições atmosféricas adversas. Nenhum tipo de avião conhecido na época conseguiria se manter no ar durante uma tempestade de neve de cinco a seis horas de duração. Contudo, o avião sobre Nova York logrou tal feito; em todo caso, jamais chegou a ser identificado.

Em 4 de fevereiro de 1934, o correspondente londrino do New York Times relatou uma ocorrência semelhante, registrada nos céus de Londres.

Logo após o Natal, um “avião fantasma” tornou a surgir sobre a Escandinávia e foi avistado simultaneamente sobre a Noruega e a Suécia, ao sobrevoar, ida e volta, a fronteira entre esses dois países. De Tärnaby, na Suécia, e Langmo Vefsn, na Noruega, informações idênticas foram recebidas, motivando o envio para Tärnaby da 4.a Companhia Aérea sueca, em missão de reconhecimento.

No dia 10 de janeiro, o povo nas ruas de Tärna observou uma luz brilhante, a cerca de 350 metros de altura, que mudou de rumo e se afastou, em direção a Archeplog. Quinze minutos mais tarde, os habitantes daquela cidade ouviram ruídos no ar; saíram para a rua, a fim de verificar o que se estava passando. Em seguida, a mesma luz surgiu sobre Rortrask, a nordeste de Norsjö.

Testemunhas afirmaram que, bem acima desse local, os motores pararam três vezes seguidas e o aparelho voou a uma altura tão baixa que a luz por ele irradiada inundou toda a região.
Naquele mesmo dia, em Trondheim, na Noruega, foram registradas duas “aterrizagens de aviões fantasma”.

Na extremidade norte da Noruega, na noite de quarta-feira, pousou uma máquina, nos arredores da ilha de Gjeslingen, próximo a Rorvik; outra aterrizagem ocorreu perto de Kvalöy, na região de Naniudal. O comunicado procedente de Gjeslingen informava que teria surgido um jato de luz brilhante, acompanhado de forte roncar de motores. Em seguida, a máquina teria pousado sobre as águas e lá permanecido por uma hora e meia. Depois do pouso, a luz ter-se-ia apagado.

De imediato, o cruzador norueguês Adler deslocou-se para a região, mas, ao chegar lá, o objeto voador já havia partido. Muitos dos relatos de aparecimento mencionam apenas uma luz clara, brilhante, que, quase sempre, foi comparada a um holofote perscrutando o terreno.

Os ministérios da Defesa da Suécia, Noruega e Finlândia preocuparam-se com os constantes relatos de aviões fantasmas, a ponto de, em fevereiro de 1934, terem ordenado minuciosas pesquisas nas áreas atingidas. Os relatos de aparecimentos revelaram o fato indiscutível de os espaços aéreos desses três países terem sido violados, não apenas por um ou dois, mas sim por uma série de aviões. Em sua maioria, esses aparelhos eram maiores do que os aviões militares e capazes de voar sob condições atmosféricas das mais adversas, bem como sobre terreno montanhoso, por mais acidentado e perigoso que fosse.

Segundo o parecer dos círculos militares, para tanto seriam necessárias bases aéreas em pleno funcionamento operacional, equipadas com pessoal técnico, peças e combustível; no entanto, apesar das buscas em conjunto realizadas pelos três países nórdicos, em parte alguma tais bases foram localizadas.
Por conseguinte, a 30 de abril de 1934, o major-general sueco Reautersward fez a seguinte declaração à imprensa:

“O estudo comparativo desses relatos indica, inequivocamente, a existência de um tráfego aéreo ilegal, no âmbito das nossas áreas de segurança militar.

“Dispomos de numerosos relatos, assinados por pessoas responsáveis, que observaram detidamente os pilotos misteriosos e sempre fizeram a seguinte constatação: os aparelhos não apresentam identificação alguma.
“Não é possível explicar este problema por alucinação.

Outrossim, resta a pergunta: quem são eles e por que motivo invadiram nosso espaço aéreo?”
Durante os dois anos seguintes, nada aconteceu; a situação era de completa calma.
Mas em 1936 os objetos voadores desconhecidos voltaram à Escandinávia, nas rotas por eles percorridas em 1934; vindos do extremo norte, dirigiram-se rumo sul, à Noruega setentrional, atravessaram a Suécia e voltaram pela mesma rota.

Após a Segunda Guerra Mundial, em 10 de junho de 1946, foram avistados objetos voadores nos céus da Finlândia que aparentavam semelhança com os foguetes V alemães. No decorrer de algumas semanas, milhares de pessoas observaram luzes, objetos em forma de charutos e máquinas voadoras com asas, não identificadas, sobre toda a Noruega e Suécia. A imprensa européia noticiou e explorou esses aparecimentos até nos seus mínimos detalhes, metamorfoseando os “aviões fantasma” dos anos 30 em “foguetes fantasma”.

Enfim, tais objetos voadores foram observados em toda a Europa, do extremo norte até a Grécia, ao sul, surgindo em telas dfc 4.ar, sendo fotografados e tendo sua velocidade calculada como variando entre 700 e 1 600 quilômetros por hora.
Jornais britânicos e escandinavos falaram em vôos de teste, em novos foguetes soviéticos sobre a Europa setentrional, fato prontamente desmentido por Moscou.

Em setembro daquele ano, “bolas de fogo verde” foram observadas nos céus de Portugal e um foguete com um jato de luz sobrevoou Casablanca, na África do Norte. A cidade de Oslo foi visitada por “coisas grandes, incandescentes”, que caíram do céu e explodiram com ruído ensurdecedor.

O governo sueco ficou preocupado com os “foguetes fantasma” e, por fim, resolveu pedir o auxílio do governo dos EUA para o esclarecimento dos fatos; para tanto, o General James A. Doolittle, do serviço secreto, foi para lá e pesquisou o fenômeno no local. Embora Doolittle conseguisse explicar ou, pelo menos, desconversar muitos dos aparecimentos, uma percentagem elevada (mais de 20 por cento) ficou sem explicação.

Tudo isso era do conhecimento de Jessup, até nos menores detalhes, e dali ele tirou a seguinte conclusão: descontados todos os enganos, falhas de interpretação e pontos duvidosos, ainda persiste um núcleo sólido, comprovado por aparecimentos que representam o cerne do verdadeiro problema dos OVNIS. Aliás, nesse contexto, destaca-se o fato de, na época do balão, em fins do século XVIII, terem sido observadas “bolas”.

Em fins do século XIX, ou seja, poucos anos antes do aparecimento do primeiro Zeppelin e avião a motor, foram avistados misteriosos aviões a motor, com ou sem asas. Nos anos 30 do nosso século, eram “aviões fantasma, com vários motores” e, após o término da Segunda Guerra Mundial, os relatos de aparecimentos falaram em “foguetes” misteriosos. Com o primeiro avanço do homem no espaço cósmico, retornaram os discos clássicos, pois sempre se falou em objetos em forma de disco e charuto.

Foi nessas observações, de natureza variável, que Jessup fundamentou sua teoria, segundo a qual, sob certas circunstâncias, os visitantes extraterrestres teriam capacidade de adaptar suas naves às condições e conceituações vigentes nas diversas épocas vividas pela Terra.
O escritor e pesquisador de OVNIS americano John A. Keel avançou mais um passo ao defender a tese situando a procedência dos OVNIS e sua tripulação numa dimensão desconhecida, eventualmente psíquica.

E, por não serem de um mundo material, no entender de Keel, aqueles objetos voadores podem ser manobrados sem qualquer interferência, segundo a vontade de seus pilotos. Ele diz, textualmente:
“Aparentemente, os OVNIS não existem como objetos palpáveis, fabricados; não se enquadram nas leis da natureza que nós aceitamos. Parecem ser apenas metamorfoses capazes de se adaptar à nossa inteligência. Milhares de contatos com aqueles seres levam à conclusão de que, propositadamente, nos fazem de bobos…

“Suponhamos que um mundo alienígena — seja ele de um outro planeta ou uma região em que prevaleçam outras freqüências moduladas e matéria física de outra espécie — pretenda algo aqui, na nossa Terra. Suponhamos ainda que sua noção de tempo seja totalmente diversa da nossa e que os seus habitantes tenham meios para elaborar um programa para tomar posse do nosso planeta, em uma operação que se prolongaria por milhares de anos.

Enquanto estivessem fazendo os preparativos para tal invasão, eles deveriam estar empregando uma tática de guerra psicológica, de modo a nos iludir a respeito dos seus verdadeiros planos, de suas metas finais, semeando a confusão e convencendo-nos de que, na realidade, os discos voadores nem existem.”
Além de provocar um certo mal-estar, essa teoria de Keel dificilmente poderia ser aceita por situar o fenômeno na esfera do sobrenatural, no mundo dos demônios, das maquinações escusas, inconfessáveis, até no âmbito da superstição, ou seja, no obscurantismo medieval.

Por outro lado, é igualmente inaceitável a tese favorita dos sectários dos OVNIS: eles advogam a existência de uma “fraternidade cósmica”, instituída para salvar a humanidade miserável, a qual, no desempenho dessa missão, sempre volta para a Terra. Em todo caso, tal retorno parece acontecer com admirável constância e persistência.

Por ocasião de uma entrevista à imprensa, realizada em 4 de abril, em Key West, o Presidente Harry Truman declarou que os OVNis não procedem dos EUA, tampouco de outro país qualquer do mundo. A convocação para essa entrevista deu-se quase em função de uma invasão de discos voadores registrada em 17 de março de 1950, em proporções até então jamais vistas nos EUA.

Desenvolvendo altíssima velocidade:, mais de quinhentos objetos voadores em forma de disco e com brilho metálico sobrevoaram a área de segurança nacional, no Estado do Novo México. Foram vistos por três dias consecutivos, entre as 11 e as 13 horas, ao norte do Novo México, sobre a cidade de Farmington. A imprensa local noticiou o assunto com fartos detalhes e, em 18 de março, o Farmington Times estampou a seguinte manchete: “Frota de OVNIS sobre Farmington — na véspera 5 000 habitantes da cidade avistaram centenas de estranhos objetos voadores no céu”, e finalizava: “Seja o que forem, para a nossa cidade, decerto, foi uma sensação enorme!”

Por sua vez, a Força Aérea deu a seguinte versão oficial do aparecimento de Farmington:
“Flocos de algodão, voando no ar”.
No entanto, cumpre salientar que essa região não era propícia à cultura do algodão.
Se este já era um caso bastante problemático para o Projeto Rancor resolver, coisas muito piores ainda estavam a caminho.

Johanes Von Butlar – O Fenômeno UFO