Nave japonesa desconhecida aproxima-se de asteróide

“Esse é um projeto notável que teve pouca cobertura da mídia”, disse à AFP Patrick Michel, astrofísico francês envolvido na missão, durante um encontro de astrônomos em Cambridge.

“A compreensão da composição química dos asteróides vai nos ajudar a entender como os planetas foram formados. Mas os únicos asteróides que vemos na Terra são restos queimados, como meteoritos, não a substância bruta propriamente”, acrescentou Michel.

A sonda Hayabusa, movida por um motor de íons, uma lenta mas constante forma de propulsão que captura grande volume de material para os instrumentos de análise, está agora a apenas 750 quilômetros (475 milhas) do asteróide Itokawa, segundo informações divulgadas na última segunda-feira pelo site da missão (www.jaxa.jp), ligado à Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA).

Em novembro será realizada a parte mais difícil da missão, disse Patrick Michel, que trabalha para o Observatório da Cote d’Azur, no sul da França, e para o Centro Nacional Francês de Pesquisa Espacial (CNRS). Nesse período, a sonda Hayabusa vai realizar uma manobra cautelosa para chegar a poucos metros do asteróide Itokawa e então lançar um projétil pesando cerca de cinco gramas em sua superfície, numa velocidade de 300 metros por segundo, cerca de 1.080 quilômetros por hora.

Se a aritmética estiver certa e a sorte estiver do lado da Hayabusa, uma pequena explosão vai lançar o material bruto do asteróide para um funil delgado, direto para a sonda. O projétil vai liberar pequenos materiais explosivos em três partes diferentes do asteróide, com cada amostra sendo armazenada com cuidado a bordo da sonda.

A Hayabusa vai lançar também um pequeno robô, do tamanho de uma lata de alumínio, chamado Minerva, que por dois dias vai vasculhar a superfície do asteróide, fazendo fotografias e medindo sua temperatura. Após toda esta pesquisa, é hora de voltar pra casa. Em junho de 2007 a preciosa carga da sonda Hayabusa, de apenas 100 miligramas, vai pousar na Austrália.

Os Estados Unidos e a Agência Espacial Européia (ESA) têm dedicado grandes orçamentos em missões muito divulgadas na mídia para analisar cometas e outros fenômenos primitivos. Uma delas é a Rosetta, uma missão de um bilhão de euros (US$ 1,2 bilhões) da ESA, prevista para atingir seu objetivo em 2014, quando vai lançar um robô em um cometa para analisar seu solo e transmitir dados para a Terra.

Em sua missão “Impacto Profundo” (Deep Impact), os Estados Unidos lançaram em julho deste ano um projétil de metal em um cometa, usando sensores por controle remoto para analisar o gás e a poeira causada pelo impacto. Outra sonda norte-americana, a Stardust, está prevista para retornar à Terra no próximo ano, trazendo material recolhido durante seu vôo próximo ao cometa. A espaçonave Genesis, lançada também pelos Estados Unidos, iria capturar amostras do vento solar, mas caiu no deserto de Utah em setembro de 2004, deixando apenas algumas amostras salvas.

“Estou muito empolgada com o que os japoneses estão fazendo. Desejo a eles toda a sorte do mundo”, disse Carey Lisse, uma cientista sênior da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, e membro da equipe do projeto “Impacto Profundo”.

“Com todas estas missões, teremos uma revolução em nossa compreensão desses pequenos corpos que formaram o Sistema Solar”, acrescentou.