Pablo Villarubia Mauso na Barra das Garças – Brasil

Mato Grosso era o lugar onde o célebre coronel Harrisson Percy Fawcett perdeu as botas e talvez a vida em 1925. Buscava as ruínas de um povo sobrevivente da Atlântida. Teosofista – um dos irmãos viajou pela Ásia com a Helena Blavatsky – acreditava que outras raças inteligentes habitaram a Terra antes que o Homo sapiens. Tão convencido estava que se empenhou em buscar vestígios desta raça no continente americano, atraído pelas lendas e mistérios amazônicos, incluído o Mato Grosso. Com uma parte do diário do coronel britânico, desembarquei na populosa urbe paulistana, ou melhor, no aeroporto de Guarulhos. Logo um ônibus me levou até outra estaçao aeroportuária, a de Congonhas, em pleno coração da cidade. Subi em outro avião, agora rumo a Goiânia, capital do estado de Goiás. Dediquei um pouco mais de tempo às anotações: minha missão inicial consistia em dar três palestras sobre mistérios arqueológicos, ufológicos e parapsicológicos da minha própria colheita. Afinal, são mais de 15 anos percorrendo três continentes em busca de enigmas variados. Com a mochila nas costas, desci em Goiânia e logo já a bordo de um táxi, segui até a Rodoviária para apanhar um ônibus da Barratur (44 reais ou 10 euros) que deveria me deixar no meu destino final: a cidade de Barra do Garças, à beira do esplendoroso e caudaloso rio Araguaia. Lá mora Mônica Porto, uma competente organizadora de eventos e que, juntamente com a colaboração do parapsicólogo e ufólogo Ataíde Ferreira (de Várzea Grande, MT)

e do veteraníssimo ufólogo Ademar Gevaerd (da revista UFO, de Campo Grande, MS), decidiram realizar um sonho: o Primeiro Congresso de Ufología e Parapsicologia do Vale do Araguaia entre 23 e 27de junho de 2004.

Eu, particularmente, estava muito feliz pelo convite e oportunidade de intercambiar idéias com muitos investigadores e com o público que estaria presente às conferências. Os organizadores tinham a favor a localização: nas proximidades da mítica Serra do Roncador, palco de numerosos fenômenos sobrenaturais, terrestres, intraterrestres e extraterrestres. Ovnis, almas penadas, sítios arqueológicos e até mesmo o primeiro ovniporto ou discoporto do Brasil se concentravam naquela serra capaz de intrigar ao cético dos seres humanos. Por fim, depois de quase 36 horas de viagem, cheguei ao amanhecer em Barra do Garças. Enquanto esperava a Ataíde Ferreira, olhei ao meu redor na Rodoviária e vi um casal de indígenas. Eram xavantes, um dos povos mais aguerridos e orgulhosos de suas origens e tradições de toda a América. O homem possuía um tubo de bambu atravessado em uma das orelhas. Vestiam como camponeses e levavam consigo um bebê. Era meu primeiro contato com as raízes do Mato Grosso. – Olá Pablo ! Espero que tenha feito uma boa viagem – me disse um jovem às minhas costas. Era Ataide Ferreira que logo me levou até o seu “disco-voador” particular: um carro preto, com distintivos ufológico no vidro traseiro e música cósmica a bordo. Conversamos animadamente até que decidiu parar à beira do rio Araguaia. Ataíde mostrou-me um monólito posto sobre um pedestal. Na verdade era uma rocha de forma irregular (talvez um metro de diámetro) repleta de círculos concêntricos e outras inscrições sobre sua superfície. – O que você acha que significam estes símbolos? – perguntou-me meu novo amigo. – São, com certeza, petróglifos, isto é, obra humana.

Estes baixos-relevos parecem ter alguma relação com os astros, talvez tenham conotações astronômicas. No passado os antigos habitantes do Brasil já possuíam avançados conhecimentos da posição e comportamento dos astros sobre a esfera celeste, coisa que durante muito tempo os arqueólogos desprezaram ou nem sequer perceberam… – critiquei. Havia um detalhe curioso gravado na base da pedra: a data de 1811 e um nome inteligível. Ao parecer se tratava de um colono que recolhera a rocha na beira do rio e a transportara até aquele lugar, longe das inundações. De acordo com uma lenda, um garimpeiro enterrou, debaixo da pedra, uma garrafa com diamantes cujo paradeiro é desconhecido. Quase ao lado da pedra está o “Disconauta Palace Hotel”, um hotel que, aparentemente só recebe extraterrestres mas que faz algumas excepçoes aos simples mortais terrestres nos seus humildes aposentos… Mas o Ataíde me levou até o “Araguaia Park Hotel” onde me esperava um bom banho. Descarreguei a mala – geralmente viajo com pouca bagagem – e logo fui até o restaurante para tomar o café da manha (“pequeno almoço”, para meus amigos portugueses). Lá veio receber-me Mônica Porto. Sorridente e muito simpática, a agente me contou um pouco sobre a organização do evento e sobre os participantes. A sua agência de viagens, a Aventur, estava especializada em levar os visitantes a alguns lugares recônditos da Serra do Roncador. Nesse primeiro dia em Barra do Garças (22 de junho de 2004) fui entrevistado por várias emissoras de TV

e rádios locais para assim divulgar o evento. Conheci ao “Genito”, um jovem cenógrafo que decorou alguns painéis do “discoporto” na serra do Roncador. – Quando era garoto eu morava em uma fazenda. Cheguei a ver uma bola de luz flutuando à altura do chão com uma mancha escura no centro. Aquilo pulsava, aumentando e diminuindo ligeiramente de tamanho. O objeto ascendeu um pouco, parou e expulsou um objeto luminoso menor que voou para longe…A bola principal foi desvanecendo pouco a pouco até desaparecer – relatou-me o cenógrafo. Depois do almoço na casa da Mônica – arroz, feijão e farofa “daquele jeito” – fui até o gabinete do advogado José Mário Miguez, presidente da delegação da Academia de História de Mato Grosso em Barra do Garças.


– Aqui ao lado, na cidade de Aragarças, surgiu o Projeto Brasil Central antes da Segunda Guerra Mundial. Se tratava de um frente de contacto com os indígenas e colonização desta região. Os famosos irmãos sertanistas, os Villas-Boas, tiveram um papel importante nesse processo. Os índios bororos e xavantes ocupam parte desta região. Os xavantes sao guerreiros e os bororos mais amigáveis. Ambos lutam por manter suas tradições e línguas próprias – me contou o advogado. Ao final de tarde Ataíde me levou até um complexo de águas termais em Barra. O lugar possui várias piscinas que imitam pequenas lagunas com temperaturas diferentes. Não preciso dizer que o lugar é uma delícia. A temperatura ambiente no “inverno” de Barra é amena. Isso faz com que a temperatura das águas termais (mornas) seja perfeitamente suportável. Afinal de contas, merecia um relax depois daquela longa viagem entre o velho e o novo continente. Porém, muitas surpresas ainda me esperariam naqueles próximos dias. O congresso prometia ser emocionante com convidados tao importantes.