Paralisia no sono e falsas memórias envolvidas

Eles não só acreditam em abduções alienígenas, mas também em coisas como OVNIs, PES, astrologia, tarô, canalização, auras e terapia com cristais. Eles também têm em comum uma série de experiências perturbadoras para as quais eles estão buscando uma explicação. Para eles, abdução por aliens é o que melhor se ajusta.”

Como você poderia adivinhar, as pessoas por trás de todo esses emails e telefonemas de ódio não aceitam isso. Eles estavam lá, ela não, eles insistem.

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Em seu livro, “Abducted: How People Come to Believe They Were Kidnapped by Aliens”, a ser publicado pela Harvard University Press, Clancy descreve uma reação típica. “Você pode acreditar na coragem daquela menina (Clancy)”, um abduzido diz. “Ela vem a mim, como, ‘Oh, eu acredito que você foi abduzido! Me deixe entrevistá-lo para aprender mais…. Oh, o que realmente aconteceu [ela diz] é paralisia de sono.’ Ceeerto! Como diabos ela sabe? Aconteceu com ela? Havia algo no quarto aquela noite! Eu estava girando. Eu desmaiei… estava terrificado…. eu não estava dormindo. Eu fui levado. Eu fui violado, destroçado – literalmente, figurativamente, metaforicamente, tudo que que você quiser chamar isto. Ela sabe o como é isso? ”

Sonhos paralisantes

Histórias de abdução são notavelmente semelhantes. As vítimas acordam e se acham paralisadas, incapazes de movimento ou de chamar por ajuda. Eles vêem luzes brilhando e ouvem sons de zumbido. Sensações elétricas passam por seus corpos, que podem se levantar em levitação. Aliens com olhos oblíquos, pele cinza ou verde, sem cabelos ou narizes, se aproximam. O coração do abduzido bate violentamente. Há muitos exames na nave alien. São inseridos instrumentos em seus narizes, umbigos, ou outros orifícios. É doloroso. Às vezes relações sexuais acontecem.

Então termina, depois de segundos ou minutos. Os intrusos desaparecem. As vítimas estão de volta em suas próprias camas e podem se mover novamente.

Clancy, Richard McNally, professor de psicologia em Harvard, e outros pesquisadores ligam tais acontecimentos horrorizantes à paralisia no sono, uma condição onde a separação habitual entre sono e vigilância sai de sincronia.

Quando você sonha, você está paralisado. É uma adaptação natural para impedir que as pessoas de pulem da cama, atravessem portas ou janelas e se machuquem. Mas é possível acordar enquanto ainda paralisado.

“Nós podemos nos encontrar alucinando visões, sons, e sensações corporais”, Clancy diz. “Eles parecem reais mas eles são de fato produto de nossa imaginação.” Um pesquisador descreve isto como “sonhando com seus olhos bem abertos.”

Efeitos estranhos aparte, paralisia do sono é tão normal quanto soluçõs. Não é um sinal de doença mental. Aproximadamente 25 por cento das pessoas ao redor do mundo experimentaram isto, e aproximadamente 5 por cento têm o show inteiro de alucinações visuais, auditivas, táteis, e abdução.

Algumas destas pessoas se tornam completamente absorvidas pelo que aconteceu e buscam uma explicação. Isso pode conduzi-las bem em uma gama de técnicas diferentes bem conhecida a aqueles com uma rica vida de fantasia e uma aversão por explicações científicas.

Tais técnicas incluem hipnose, visualização guiada, regressão e terapias de relaxamento. “Todos estes funcionam mais ou menos do mesmo modo”, comenta Clancy. “O terapeuta acalma o abduzido a um estado sugestivo no qual limitações normais da realidade são relaxadas, e então pergunta para a pessoa para visualizar vividamente coisas que poderiam ter acontecido.” Ou que podem não ter acontecido.

Hipnose, ela diz, “é um modo ruim de refrescar suas memórias. Não apenas isso, faz você suscetível a criar recordações de coisas que nunca aconteceram, coisas que foram sugeridas a você ou que você apenas imaginou. Se você (ou seu terapeuta) têm crenças ou expectativas preexistentes, você está disposto a recordar experiências que se ajustam a estas convicções, em lugar de eventos que de fato aconteceram.”

Falsas memórias

Clancy sabe tudo sobre falsas memórias; elas a levaram a estudar abduzidos para início de conversa. Quando ela chegou a Harvard para trabalhar em um Ph.D. em 1996, ficou fascinada pelos impactos políticos, legais e sociais das pessoas que de repente recuperaram memórias de abuso sexual na infância. Usando testes de laboratório padrão, ela descobriu que mulheres que relataram recuperar tais memórias eram mais dispostas a se lembrar de coisas que nunca aconteceram que mulheres que sempre se lembraram de tal abuso.

Porém, aquele resultado não prova se a mulher com recordações recuperadas tinha ou não sido abusada sexualmente de fato. Clancy então teve a idéia de que se ela pudesse adquirir uma segurança científico melhor em falsas memórias estudando pessoas que recuperaram memórias de eventos que, de acordo com ela, não podiam ter acontecido, i.e., abduções por alienígenas.

“Menino, eu era ingênua”, ela diz em retrospecto. “Você não pode desprovar abduções aliens. Tudo que você pode fazer é mostrar que a evidência é insuficiente para justificar a crença, e tentar entender por que as pessoas têm essas crenças.”

A caminho de fazer isto, ela, McNally e seus colegas fizeram algumas descobertas tantalizantes. Medidas de sudorese, batimento cardíaco e ondas cerebrais mostraram que aqueles dizendo ser abduzidos mostram os mesmos sintomas de síndrome de stress pós-traumático que veternoas de combate. Os investigadores porém não concluíram que os abduzidos tinham experimentado um trauma do tipo de combate. Ao invés, eles acreditam, é a significação emocional de uma memória, seja ela verdade ou não, que causa mãos suadas e batidas do coração rápidas.

Mais cedo este ano, Clancy e McNally reportaram em outro estudo ter descoberto que aqueles que recordaram abuso sexual infantil ou abduções aliens experimentaram taxas mais altas de paralisia de sono que aqueles que não fazem tais afirmações. Notavelmente, o primeiro grupo também marcou alto em características subjacentes de disposição à fantasia, interesses e experiências paranormais, e inabilidade de se relacionar socialmente a outros.

Acrescente a esta mistura um interesse recorrentes em aliens expressos em livros, em filmes, e na televisão, como também verdadeiras descobertas de mais de 150 planetas orbitando outra estrelas em nossa galáxia. Subjugados por este furacão de paralisia de sono, falsas memórias e fantasia, algumas pessoas buscam explicações e acabam em fantasmas, reencarnações e personalidades múltiplas. Outros pensam que abduções aliens fornecem respostas e paz de espírito, diz Clancy.

“Provavelmente não importa muito aos abduzidos se eles estão certos ou errados”, ela comenta. “Eles se sentem bem simplesmente por causa do que acreditam.”

Clancy terminou seus estudos de abduções espaciais. Ela trabalha agora na América Central, ensinando, continuando pesquisa em trauma e memórias, e escrevendo um livro em memórias recuperadas de abuso sexual infantil. Você pode apostar que esse livro trará outra onda forte de correio de ódio.