Reflexões sobre o Relatório COMETA


A associação COMETA (“COMité d’ÉTudes Aprofondies”) é uma associação com fins não lucrativos, fundada no dia 24 de Fevereiro de 1999, mas que se encontra na realidade em actividade desde 1996 e o seu presidente era, na altura da entrega deste relatório, o General do exército francês Denis Letty.

Os objectivos da associação são de tentar sensibilizar os poderes políticos franceses à provável existência do fenómeno OVNI e de estudar as possíveis consequências deste fenómeno a nível da defesa nacional. É constituída por antigos membros do IHEDN (“Institut des Hautes Études de la Défense Nationale”) nos quais se constam, entre outros, pessoal de alta patente militar no activo, antigos auditores militares do IHEDN, cientistas e engenheiros (do armamento, da aeronáutica e de outras vertentes).

Intitulado “Les OVNIs et la Défense – À quoi doit-on se préparer ?” (“Os OVNIs e a Defesa – Para o que nos devemos preparar ?”), este relatório foi objecto, três dias depois da sua entrega às altas patentes políticas francesas, no dia 16 de Julho de 1999, de um número fora de série da revista francesa VSD, que por questões de lucro, afirmou que se tratava de um relatório oficial do Governo Francês sobre a questão dos OVNIs, o que não é verdade, e o que pelos vistos descredibilizou sua imagem em relação aos cépticos e à opinião pública.

Segundo informações divulgadas pelo grupo OVNI-France, uma das mais influentes associações ufológicas francesas, o documento era originalmente confidencial, pois devia ser lido exclusivamente por Jacques Chirac e Lionel Jospin. Contudo, o facto deste relatório ter sido inteiramente divulgado na comunicação social apenas 3 dias depois da sua entrega às altas patentes políticas francesas através a publicação de um número especial de um tablóide deixa suspeitar de uma manobra de informação/desinformação cujos objectivos poderiam ser vários (manobra para avaliar a reacção do público quanto à possível origem extraterrestre dos OVNIs, tentativa de sensibilização do público à questão do fenómeno OVNI, tentativa de pressionar as autoridades norte-americanas a colaborarem nesta questão, etc…).

Nesta perspectiva, há quem acredite que o Relatório COMETA seja apenas uma manobra de informação/desinformação apoiada pelo governo francês para avaliar a reacção dos cidadãos quanto à hipótese da origem extraterrestre do fenómeno OVNI. Outros vão mais além e alegam a possibilidade do relatório se dirigir principalmente aos Estados Unidos como uma maneira de impedir a estagnação do estudo oficial sobre os OVNIs por este país. Isso explicaria a natureza oficiosa da nota – e não oficial –, visto que a diplomacia francesa não se atreveria a criticar um país aliado de forma tão directa. Não sendo um documento chancelado pelo governo de Chirac, o Relatório COMETA teria maior liberdade de usar a incisividade que fosse necessária para pressionar os Estados Unidos a colaborar nesta questão.

Consequentemente, nem Chirac, nem Jospin, fizeram qualquer tipo de comentário sobre o assunto à imprensa e os meios de comunicação social franceses, sobretudo a televisão, não abordaram a revelação imediatamente após vir a público, tendo havido apenas um breve comunicado da agência francesa France Press. Alguns jornais bem publicaram artigos sobre o assunto, mas não o fizeram com seriedade. “Este silêncio quase geral por parte de nossa comunicação social parece uma espécie de autocensura” comentou Thierry Garnier, dirigente da OVNI-France. E o efeito parece ter sido igual em todo o mundo: um misterioso silêncio cobrindo o assunto, como se nada tivesse acontecido. Isso foi ainda mais visível nos Estados Unidos, país criticado no Relatório COMETA pela sua política de segredo persistente sobre o fenómeno OVNI.

No entanto, é um trabalho considerado sério que faz um balanço sobre 60 anos de avistamentos de OVNIs em território francês. Todos os casos descritos no relatório foram investigados com metodologia científica apurada e rigorosa por órgãos oficiais dedicados à investigação sobre o fenómeno OVNI, tais como o GEPAN (“Groupe d’Étude des Phénomènes Aérospatiaux Non-Identifiés”) e o SEPRA (“Service d’Expertise des Phénomènes de Rentrées Atmosphériques”), ambos sub-organismos do CNES (“Centre National d’Études Spatiales”  agência espacial francesa) e únicas entidades oficiais civis ao mundo a terem-se consagrado exclusivamente ao estudo do fenómeno OVNI (o GEPAN foi criado em 1977 por iniciativa do Presidente da República Francesa da altura, Valérie Giscard d’Estaing, e foi substituído pelo SEPRA em 1988; o SEPRA foi ele próprio substituído pelo GEIPAN em 2005  GEIPAN: “Groupe d’Études et d’Informations sur les Phénomènes Aérospatiaux Non-Identifiés”).

Aliás, só o nome deste último organismo indica uma abertura das autoridades francesas em relação a este fenómeno visto que a missão deste GEIPAN não consiste apenas em continuar a estudar as manifestações do fenómeno OVNI em território francês, à semelhança dos seus antecessores GEPAN e SEPRA, mas também, desde a sua criação, em informar o público dessas investigações através a publicação dos relatórios de cada caso estudado no site internet do organismo (www.cnes-geipan.fr), o que, à escala mundial, é inédito por parte de instituições oficiais. Como é aliás dito na página principal do site deste organismo, uma das tarefas que foi dada ao GEIPAN consiste em responder às interrogações da população sobre os fenómenos aerospaciais não identificados, chamados de forma abreviada de PAN (“Phénomènes Aérospatiaux Non-Identifiés”).

Salientamos aliás que o GEPAN e o SEPRA elaboraram uma classificação destes PAN conforme o seu grau de identificação:
– PAN de categoria A ou PANA: fenómeno perfeitamente identificado.
– PAN de categoria B ou PANB: fenómeno provavelmente identificado, mas que não pode ser identificado de forma certa devido à falta de dados.
– PAN de categoria C ou PANC: fenómeno não identificado por falta de dados.
– PAN de categoria D ou PAND: fenómeno não identificado apesar da abundância e qualidade dos dados.

Estes PAND é que correspondem a uma percentagem significativa de casos, que após investigações minuciosas, mostraram que havia toda uma categoria de fenómenos físicos raros que não podiam ser assemelhados a fenómenos naturais ou artificiais conhecidos. Os mais peculiares destes casos consistem nos Encontros Imediatos de 3º Grau, nos quais as testemunhas afirmam ter obervado seres com fisionomias e estaturas diferentes das da espécie humana.

O Relatório COMETA está estruturado em três partes distintas:

 Após um prefácio redigido pelo General da Força Aérea Bernard Norlain, antigo director do IHEDN, uma síntese do trabalho e uma introdução, a 1ª parte do relatório intitulada “Faits et témoignages” (“Factos e testemunhos”) descreve 15 casos sérios de avistamentos e encontros imediatos feitos em território francês e no estrangeiro, em relação aos quais, após investigações oficiais sérias e rigorosas, não chegou a ser encontrada nenhuma explicação. Os casos descritos nesta 1ª parte incluem avistamentos indiscutíveis feitos por pilotos civis e militares, por vezes corroborados por detecção radar, dos quais se destaca o conhecido Incidente de Teerão (Irão) de 1976, assim como o célebre Encontro Imediato de 2º Grau de Trans-en-Provence (França), que ocorreu em 1981.

Nesta primeira parte, o documento dá também seu atestado positivo a dois casos clássicos de aparições de seres humanóides (Encontros Imediatos de 3º Grau), algo igualmente inédito a nível mundial, da parte de um documento elaborado por diversos cientistas e militares de alto escalão. Um é o célebre caso de Valensole (França), ocorrido a 1 de Julho de 1965, e o outro é o caso de Cussac (França), ocorrido a 29 de Agosto de 1967. Em ambas as situações, foram observados seres de baixa estatura, com fisionomias aparentemente diferentes das da espécie humana.

 A 2ª parte do relatório “Le point des connaissances” (“Um balanço dos conhecimentos”) faz um balanço das investigações oficiais sobre o assunto feitas em França (organização da pesquisa, métodos e resultados do GEPAN e do SEPRA, provas físicas do fenómeno em território francês, colaborações com a “Gendarmerie Nationale”, a aviação civil e militar e outras instituições na área da investigação ciêntífica, meteorologia, fotografia, tratamento de imagem, etc…), nos Estados Unidos, Reino-Unido e União Soviética/Rússia. No caso das investigações francesas, é afirmado sem rodeios que o trabalho do GEPAN e do SEPRA indicam claramente a existência de uma categoria de fenómenos físicos raros que não se podem assemelhar a fenómenos naturais ou artificiais conhecidos (os tais PAND já referidos anteriormente).

Nesta perspectiva, é salientado que o trabalho do GEPAN / SEPRA corrobora-se com as afirmações do General Twinning, alta patente militar norte-americana que em 1947 dirigia o “Air Material Command” e que já na altura tinha elaborado um relatório sobre os “discos voadores” que apontava para a realidade física do fenómeno.

Esta 2ª parte aborda também as possíveis hipóteses quanto à natureza do fenómeno OVNI (armas secretas de uma grande potência, tentativas de desinformação, imagens holográficas, fenómenos naturais desconhecidos e a hipótese extraterrestre), como também propõe uma modelização do fenómeno que aborda os seguintes aspectos:

– Tentativa de modelização do deslocamentos dos OVNIs pela propulsão MHD (magnetohidrodinâmica), método de propulsão que consistiria em criar um campo magnético num objecto voador e fazer circular ao mesmo tempo uma corrente eléctrica em volta desse mesmo objecto. O campo magnético criado pelo objecto provocaria um deslocamento do meio onde se move (dentro de água ou na atmosfera), o que permitiria a esse mesmo objecto ser submetido a uma força que proporcionaria a sua propulsão e a anulação dos efeitos da gravidade.

– Tentativa de explicação das interferências muitas vezes constatadas sobre os motores de vehículos pela emissão de micro-ondas (ondas electromagnéticas com comprimentos de onda intermediários entre o infra-vermelho e a radiodifusão, isto é entre 1mm e 30cm, o que corresponde a frequências com valores entre 1 e 300 GHz) ou de feixes de partículas carregadas electricamente.

– Tentativa de explicação da paralisia à qual são submetidas muitas testemunhas do fenómeno OVNI igualmente pela emissão de micro-ondas.

 A 3ª parte “Les OVNIs et la Défense” (“Os OVNIs e a Defesa”) é a mais importante e mais polémica também, visto que trata das perspectivas estratégicas e das eventuais consequências e implicações políticas, militares, ciêntíficas, técnicas, religiosas, culturais, sociológicas e mediáticas que teriam o fenómeno OVNI se a sua origem extraterrestre viria a ser confirmada e divulgada publicamente. Nesta 3ª parte, fala-se inclusive das repercussões que o surgimento do fenómeno OVNI teve sobre o comportamento oficial e oficioso dos Estados de diversos países, sugerindo-se até uma classificação para os mesmos, conforme as suas posturas em relação ao fenómeno:

a) Estados inconscientes dos fenómenos extraterrestres ou que consideram que os mesmos não lhes dizem respeito.

b) Estados conscientes dos fenómenos extraterrestres mas não tendo meios de investigação.

c) Estados conscientes dos fenómenos extraterrestres e tendo meios de investigação.

d) Estados que já entraram em contacto com uma ou várias civilizações extraterrestres e que estabeleceram relações e colaborações a nível político, ciêntífico e tecnológico.

Desta forma, o relatório admite claramente a ideia de que alguns Estados possam já ter desfrutado de algum contacto privilegiado com as inteligências que estão por trás do fenómeno. Nesta perpectiva, o relatório aborda o célebre Incidente de Roswell (1947), afirmando que, se os militares norte-americanos recuperaram efectivamente destroços ou até uma nave inteira, supostamente de origem extraterrestre, ou até mesmo cadáveres de seres inteligentes de origem não humana, um certo tipo de contacto teria efectivamente sido estabelecido.

O relatório aproveita aqui para realçar a política de segredo persistente e de desinformação dos Estados Unidos em relação ao fenómeno OVNI.

Esta 3ª parte fala também das medidas que deveriam ser tomadas a nível da formação e informação do pessoal que possa estar em contacto directo com o fenómeno (pilotos civis e militares, controladores aéreos, meteorologistas, engenheiros do sector da aeronautica e da agência espacial francesa, gendarmes, etc…).

As afirmações do último capítulo do relatório “Conclusions et Recommandations” (“Conclusões e Recomendações”) são eloquentes. De facto, considerando tudo o que se sabe sobre o fenómeno OVNI desde os finais da 2ª Guerra Mundial, o relatório chega à conclusão da realidade física quase certa de objectos voadores totalmente desconhecidos que evoluem na nossa atmosfera. Dadas as proezas desses objectos em vôo assim como os seus comportamentos aparentemente inteligentes, a origem extraterrestre desses objectos é considerada a mais provável.

Embora este Relatório COMETA não seja um documento assinado ou chancelado pelo governo francês de forma oficial, é a primeira vez em todo o mundo que um órgão composto por militares e cientistas de alto nível admite que o fenómeno OVNI possa ser uma manifestação material inteligente de origem extraterrestre.
Seus autores convidam as autoridades francesas e estrangeiras, nomeadamente a União-Europeia, a exercerem as pressões diplomáticas úteis e necessárias sobre os Estados Unidos, para incitar a superpotência a colaborar nesta questão crucial.
Finalmente, o relatório toma posição a favor de uma intensificação do estudo ciêntífico do fenómeno.

É de referir que em 2003 o Relatório COMETA foi publicado em França através a editora “Éditions du Rocher”.

Link da versão original do Relatório COMETA (em francês):
http://www.cnes-geipan.fr/documents/Cometa.pdf

Outros links em francês:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Rapport_COMETA
http://www.ldi5.com/ovni/cometa.php
http://www.rr0.org/org/eu/fr/association/COMETA.html
http://membres.lycos.fr/frendelvel/CC/1-edit10a.htm
http://www.ufocom.org/UfocomS/cometa01.htm

Links em português:
http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=2923
http://www.ufo.com.br/doc05.php
http://www.ufo.com.br/doc06.php
http://www.ufo.com.br/doc07.php

Para quém tiver alguma dificuldade com o francês e preferir o inglês, uma versão em inglês do Relatório COMETA encontra-se disponível no link:
http://www.ufoevidence.org/topics/Cometa.htm

Outros links em inglês:
http://en.wikipedia.org/wiki/COMETA
http://www.cufos.org/cometa.html
http://www.cosmicparadigm.com/CometaReport.html
http://netowne.com/ufos/important/cometa.htm