Reportagem sobre a APO na VISÃO

Os nossos “aliens” Ovni´s, osni´s, aparições marianas, raptos, abduções. O “Portugal ET” na primeira pessoa Por João Luz Pistas inconclusivas e cepticismo á parte, há quem acredite que a Terra é visitada, com regularidade, por extraterrestres.

Carla Batista não tem dúvidas. “A experiência mais marcante foi em 1996”, revela esta administrativa de 31 anos, que assegura ter sido raptada por seres de outro planeta. “Tudo começou com o quarto inundado de luz, paralisia dos membros e a incapacidade de gritar por socorro”. Em seguida ouviu um barulho ensurdecedor e, a partir dai, não se lembra de mais nada.

De manhã, acordou com cortes no peito, nódoas negras e dedadas a conferirem uma dimensão física á recordação. A explicação que encontrou foi a de ter sido levada a bordo de uma nave espacial, durante a noite.

Sonho ou realidade? Da confusão nasceu a evidência de que fora vítima de abdução. Não sabe ao certo quantas vezes aconteceu, mas acha que não tem “dedos para as contar”. No seu relato, há lugar para experiências genecológicas, testes físicos dolorosos e um enorme desenvolvimento intuitivo.

Todas as lembranças sobrevivem de flashes de memórias de espaços amplos, presenças e vozes que lhe transmitem mensagens por telepatia. Entre amigos e família, Carla manteve em segredo as excursões intergalácticas. E isolou-se. Como as abduções ocorreram de noite, fez de tudo para não dormir. “Punha nos phones música muito alta, programava o despertador para tocar de cinco em cinco minutos…”A falta de descanso e a solidão quase a levaram á loucura.

Mas o isolamento terminou – hoje integra a direcção da associação de pesquisa ovni (APO). Aí encontrou compreensão e conheceu gente em igual situação. “O que aconteceu comigo, ninguém me pode tirar; agora quero ajudar quem tenha passado pelo mesmo que eu.”

Sem fins lucrativos, a APO dedica-se á recolha e análise de amostras que provem a existência de vida extraterrestre. Outro objectivo não menos importante, é acarinhar pessoas que tenham sido abduzidas, “dar-lhes um mimo e acabar com a sua solidão”, sublinha Luís Aparício, presidente da associação. Com 53 anos, este empregado de seguros é o equivalente luso de Fox Mulder, protagonista da famosa série Ficheiros Secretos.

No site da APO estão inscritos mais de 2700 membros, alguns “com bastante militância enviam muitos artigos e participam, activamente, nas reuniões mensais”. Luís garante que Portugal é rico em fenómenos relacionados com ovni´s. E não se pense que da ementa só constam abduções e avistamentos.

Há aparições marianas (figuras femininas envoltas em luz, normalmente associadas á religião católica), osni´s (a versão aquática dos ovni´s), mutilações de gado e fenómenos intraterrestres (manifestações de uma civilização que vive no interior do nosso planeta). “Só não temos círculos no trigo (grandes padrões geométricos feitos em plantações de cereais, especialmente na Inglaterra); de resto, são muito frequentes as aparições marianas e os avistamentos de osni´s”, revela Luís.
Quando confrontado com a falta de provas inequívocas, o presidente da APO apenas pode referir-se ás suas próprias experiências. Considera que a nossa civilização ainda não está pronta para um contacto directo e público com extraterrestres. ” As instituições ruiriam completamente, e a mudança radical na sociedade seria caótica.” Acrescenta, porém, que estamos no bom caminho e que, lentamente, as mentalidades vão mudando. “O cepticismo já não se sente tanto – agora as pessoas estão mais abertas e falam de ovni´s e civilizações extraterrestres, sem serem chamadas de loucas.” Luís atribui grande parte desta evolução á influências dos abduzidos na sociedade.

E acredita que está para breve uma mudança drástica, no nosso mundo, “por influência lá de cima”. Acha que a tese da invasão hostil não se justifica, até porque “se quisessem, já a teriam feito”.

Quanto á capacidade da associação para processar a informação que recolhe, Luís assegura que conta com gente de todas as áreas do conhecimento, mas que, mesmo assim, não vê em que pode a ciência convencional ser útil. “A psicologia, sim – através de regressões hipnóticas a abduzidos, podemos ter acesso a mais elementos.”

Luís Aparício e Maria Gomes – Ele diz que está para breve uma mudança drástica no nosso mundo “por influência lá de cima”. Ela viu ovni´s no céu de Almada

Num patamar de menor importância, estão os populares avistamentos. Em 1938, Orson Welles celebrou o dia das bruxas de uma forma peculiar. Adaptou para a rádio a obra de H. G. Wells “A guerra dos mundos”, e relatou, ao microfone, uma invasão marciana.

A histórica emissão levou milhares de americanos em pânico a olhar para o céu, á procura de uma frota de naves espaciais. No ano passado, e quase no 67º aniversário da ousadia radiofónica, de Orson Welles, Maria Gomes viu o céu de Almada coberto por centenas de esferas. Não foi a única. A aparição foi testemunhada por mais duas colegas do Hospital Garcia da Horta.

A enfermeira, de 52 anos, recorda o aspecto metálico das bolas, que reflectiam a luz solar á medida que se deslocavam para sul. “Não tinham uma forma regular e eram ás centenas – e, tal como surgiram, desapareceram da nossa vista”, lembra.

Casos como este enchem a base de dados da APO. No primeiro Sábado de cada mês, a fenomologia ovni é debatida em palestras realizadas no Confort Hotel Príncipe, em Lisboa.

Anteriormente, os membros da associação reuniam-se numa sala cedida pala Junta de Freguesia de São Paulo. Fernando Duarte, 46 anos, presidente da Junta, diz que a autarquia deve estar aberta a todos. No que respeita á existência de vida noutros planetas, afirma: ” Não acredito, nem deixo de acreditar. Sem querer toca num ponto fulcral – é tudo uma questão de fé.