Ufólogo investiga chupa-chupa no Pará

“Há novos factos que precisam ser investigados. Por exemplo, já tive a oportunidade de coletar relatos na ilha de Marajó. São informações sobre estranhas luzes que ainda aparecem na região, mas com uma outra forma de actuação. Alguns moradores dão o nome de “luz d’água” ou “chupa-chão” devido ao facto de pequenas bolas de luz que emitem um feixe luminoso sobre à superfície da água ou sobre o solo. Inclusive essas luzes também são designadas como “mães de ouro”, disse Paulo Aníbal Mesquita em entrevista a O LIBERAL.
Ele prefere ir pessoalmente aos locais dos acontecimentos ufológicos para fazer a coleta de evidências e ouvir depoimentos de testemunhas, além da apuração das alterações físicas e biológicas nas áreas. Haveria, diante de seu interesse pela pesquisa no Pará, alguma peculiaridade a ser explorada? Paulo Mesquita responde que sim. Os relatos que coletou preliminarmente, segundo ele, citam que tais bolas luminosas voavam numa altitude muito baixa e sempre durante à noite.

Casos Reais

Numa localidade ribeirinha distante aproximadamente duas horas do município de Soure, uma senhora chamada Josefina Silva – 30 anos, de voz macia – disse que presenciou o “sumiço” de um homem, em meados de 2001. O desaparecimento teria ocorrido durante suposta aparição de um objeto alongado muito luminoso e com intenso brilho alaranjado que teria pairado sobre o tal homem.

A mulher contou que o objeto “jogou” um feixe de luz esbranquiçada sobre o homem que, logo em seguida, sumiu. Depois disso, nunca mais o viu. Josefina entregou ao ufólogo um pedaço de papel com o desenho do objeto que teria sido feito por uma outra pessoa com base no seu relato. “Fizemos uma pesquisa de campo na área indicada por ela, mas não conseguimos achar qualquer evidência no local e outras testemunhas que poderiam corroborar o testemunho dela. Pessoalmente acho esse facto inusitado, muito preocupante, pois de certa forma evidencia uma ação criminosa ligada ao estranho objeto”.

Seria isto um facto real? Qual seria a estatística de desaparecimentos de seres humanos que poderiam ser atribuídas aos extraterrestres? Será que o fenômeno chupa-chupa realmente desapareceu do Pará? Ou evoluiu para outro tipo de actuação, como agora levanta Paulo Mesquita? Até que ponto todos esses factos se confundem com lendas regionais, como a matintaperera, uma suposta bruxa que voa e persegue pessoas, emitindo sons estranhos que assustam moradores de pequenos povoados? Para estas questões, afirma o ufólogo, ainda não há respostas. E quanto mais ele mergulha na pesquisa mais incertezas vão surgindo.

Mapinguari

Mapinguari – Mas não é somente sobre luzes misteriosas e seres espaciais que Paulo Mesquita se debruça em seus estudos. Como biólogo, ele também pretende pesquisar no Pará um ser que teria por aqui vivido há milhares de anos, o mapinguari – espécie de preguiça gigante -, supostamente visto em regiões remotas do Estado há poucos anos. “Vou atrás do mapinguari”, garante o pesquisador.

Apaixonado por insectos, ele também terá a oportunidade de conhecer nas matas do Pará o maior inseto do mundo, o titanus giganteus, um besouro que mede mais de 22 centímetros de comprimento. Além disso, estudará os morcegos amazônicos e tentará descobrir por que eles estão atacando cada vez mais moradores de cidades do Estado, transmitindo-lhes a raiva humana.

Luzes não são alucinação colectiva

As estranhas luzes que vinham do céu e atacavam moradores de Colares, Vigia e Santo Antonio do Tauá no final dos anos 70 não foram uma invenção da imprensa e nem alucinação coletiva dos habitantes desses municípios, aposta o ufólogo Paulo Aníbal Mesquita. “Sabemos que a Força Aérea Brasileira (FAB) na época fez centenas de imagens, mas nada disso foi revelado ao povo, a não ser algumas poucas fotos enviadas a alguns ufólogos”, observa.

Com sua vinda ao Pará, ele promete dar um novo rumo às investigações de campo, afirmando que muita coisa ainda precisa ser apurada. Por exemplo, os factos que citou sobre a ilha do Marajó. Também há alguns casos que ocorreram há poucos anos que ele gostaria de ir mais a fundo. “Em Belém também encontramos muitos relatos sobre avistamento de Ufos, até com filmagens, como a que foi feita por Silvio Dourado”

Paulo Mesquita conta ter tomado conhecimento desse caso por intermédio de um jornalista paraense. A filmagem foi feita em março de 1996. O objeto parecia ter aspecto prateado com seu brilho muito intenso. Também há o relato do sr. Alfredo Mendes, de 31 anos, que testemunhou um interessante facto no bairro do Guamá, em abril de 1996.

Foco – Um pequeno objeto de pouco mais de dois metros de diâmetro, de formato ovalado, com cores branca e avermelhado na parte central, pairava acima de uma mangueira, cerca de 30 metros do chão; na parte inferior do objeto saía um foco muito forte de luz semelhante a uma potente lâmpada fluorescente, iluminando como um farol de carro os fundos da igreja de São Pedro e da casa ao lado”.

Ainda em Belém, outro relato interessante, segundo o ufólogo, que esteve no local, foi o de dona Maria José, 22 anos, em Julho ou Agosto de 2001. Ela alega ter visto uma enorme bola de luz prateada de forte brilho parada sobre um terreno abandonado por quase 20 minutos. Passado esse tempo, o objeto movimentou-se velozmente para cima e sumiu. (C. M. )

Documentos militares comprovam os factos ocorridos

Como vê o envolvimento de militares na chamada Operação Prato? Foi para desqualificar as visões das luzes misteriosas narradas pelos moradores ou esses militares desconfiavam de novas armas de guerra testadas por países comunistas, como se chegou a dizer na época? Para Paulo Aníbal Mesquita, a postura dos militares brasileiros foi “totalmente condizente com as condições da época”.

E explica: o comando militar (I Comar) deu uma resposta aos anseios das pessoas. Muitas já estavam se evadindo das regiões de actuação do chupa-chupa, facto que estava criando situação de pânico e boatos generalizados. Então, os militares, em resposta, enviaram um pequeno grupo para investigar os factos do período de outubro à dezembro de 1977- pelo menos oficialmente.
Em suas pesquisas, diz ter certeza que tanto o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA)) quanto o Sistema de Controle do Espaço Aéreo (Sisceab) mantêm constante vigilância do nosso espaço aéreo. ” Eles têm consciência das atividades de Ufos, mas isso não significa que a nossa força aérea vá interceptar todos que são detectados nos radares, só aqueles que realmente oferecerem risco ao tráfego aéreo e em situações referentes ao contexto da segurança nacional, como uma suposta queda de um desses objetos”.

Mas será que nossas aeronaves de guerra tem condições tecnológicas de interceptar um ovni? Muitas aeronaves não possuem nem sequer condições de vôo por falta de manutenção e de peças, inclusive até pedem que aeronaves civis façam reconhecimento visual de ovnis quando estão na região deles (um exemplo é o vôo 573 da TAM, em 1989).

Em relação ao chupa-chupa, qual o facto que mais despertou sua atenção?

Um óptimo exemplo, é o facto ocorrido em 18 de Outubro de 1977, por volta das 23 horas, com a sra. Claudiomira Rodrigues da Paixão, 35 anos na época. O documento da Operação Prato diz o seguinte: “ouvida pelo sr. chefe da 2ª seção – disse que estava acordada, deitada em uma rede, e em sua companhia estava uma senhora e seus filhos; que pressentiu uma luminosidade (a luz da cidade havia apagado às 22 horas) que percorreu todo o seu corpo (como uma lanterna) fixando-se no seio esquerdo, sugando-o, desceu após para sua mão direita, ocasião em que sentiu como se fosse picada por agulha; gritou por socorro, sem ser atendida, sua voz ficou presa na garganta, seu corpo ficou semi- paralisado; o ambiente ficou totalmente iluminado por luz esverdeada; sentiu estranho torpor, sendo despertada pela voz de sua acompanhante que chamava atenção de uma das crianças dizendo na ocasião: eu já estou estragada, o bicho me chupou.

Disse ter sentido grande calor localizado no seio esquerdo e dor aguda no dorso da mão direita, dor de cabeça, amortecimento no lado esquerdo do tórax (como se comprimido internamente). Foi atendida pela dra. Wellaide, que a acompanhou ao IML; ali foi examinada por uma doutora e informada que deveria voltar a fazer um novo exame. Sobre a incisão (feita no IML) no seio esquerdo, durante o exame a que foi submetida, nota-se uma área circundante levemente queimada, bem como um leve e quase imperceptível sinal em sua mão direita, exatamente nos locais que diz ter sido atingida”.

A doutora Wellaide Cecim Carvalho, a qual se refere o relatório da Aeronáutica, também prestou depoimento aos militares.

Veja o que ela disse: “objeto luminoso (brilho metálico), fazendo evoluções sobre a parte frontal da cidade de Colares (praia do Cajueiro), a baixa altura, 100 metros, à distancia estimada de 1.500 metros, sem produzir o mínimo ruído”.

Descreveu os objetos assim: forma cônica-cilíndrica (parte superior mais estreita) tamanho aparente em função da distancia 3 metros de comprimento, por 2 metros de diâmetro; movimentando-se de maneira irregular, balanceios laterais acentuados, entretanto vez ou outra efetuava ligeiras paradas e dava uma volta sobre si mesmo”.

Disse ter observado nitidamente, estando na ocasião em companhia de outras pessoas, em frente à unidade hospitalar local.

Entrevistada pelos militares, entre outras afirmativas, disse que a fim de preservar a sua reputação ética profissional, deixou de fazer uma comunicação mais completa com referência as pessoas que se dizem atingidas por um foco de luz de procedência desconhecida – quatro casos que atendeu.

Disse que, além de crise nervosa, seus pacientes apresentavam outros sintomas tais como paralisia (amortecimento parcial do corpo), evidenciando a diferença do quadro clínico quando presente uma crise nervosa, onde as zonas atingidas são as extremidades. Seus pacientes referem: cefaléias, astenia, tonturas, tremores generalizados e o que reputa mais importante são as queimaduras de 1º grau, bem como marcas de microperfurações. De acordo com o sexo, os homens sobre o pescoço (jugular) e as mulheres, digo a mulher no seio (só um caso).

Pediu reservas ao externar sua opinião pessoal; acredita nos factos que vêm ocorrendo na região; não põe dúvida quanto a prováveis conseqüências que venham no futuro a se fazer presentes nas pessoas afetadas.

Completando, disse não ter observado factores que a levassem a concluir a presença de alterações anêmicas; não acredita que as vítimas tivessem sido sugadas…?1 Mas que quanto ao terem sido atingidas por um raio ou foco de luz de características desconhecidas, acha muito viável, apoiada no exame e observação clínica dos pacientes que atendeu.

Tem em seu poder uma comunicação endereçada ao sr. secretário da Saúde do Estado, que não chegou a encaminhar para evitar cair no ridículo”. Isso só para evidenciar que os militares tinham total conhecimento dos acontecimentos relacionados com o “chupa-chupa” na época e que eram uma realidade inusitada.

No caso do estudo sobre o mapinguari, o que pretende investigar?

No Estado do Pará é comum a lenda do mapinguari, porém, acreditamos que ainda possa existir um tipo de bicho-preguiça por volta de 2 metros na postura bípede. Sei de alguns relatos em vilarejos isolados, onde alguns de seus moradores já se depararam com esta fera durante à noite.

Relatam que o mapinguari não gosta da presença de estranhos, emitindo um forte som e um cheiro muito fétido. Mas isso interpreto com mecanismos de defesa territorial ou ameaça iminente. Também é comum os relatos de que a tal fera fica na posisão bípede, ou seja, de pé, mostrando suas grandes garras. Em alguns casos, o animal investe contra o ser humano. Vou apenas tentar ir atrás destes relatos in loco.

Tempos atrás, um pesquisador do Museu Goeldi chegou a investigar o assunto, mas parou depois que surgiram dúvidas sobre a existência do mapinguari. O bicho teria existido a milhares de anos, mas não há prova de que ainda esteja escondido em algum ponto remoto da Amazônia.

Muitas espécies novas são descritas anualmente na Amazônia, então, por que não existir uma nova espécie de mamífero? Há poucos anos foram descritas novas espécies de primatas. Na realidade, essas espécies sempre existiram, porém os biólogos ainda não os tinham estudado. Certamente na Amazônia há muito o que ser estudado, pois trata-se do maior banco genético do mundo.

O sr. irá atrás do mapinguari?

Com certeza, principalmente se eu conseguir um rastro recente de actuação do mapinguari, onde possamos investigá-lo.

Fale sobre as pesquisas que pretende fazer sobre morcegos e insectos durante sua viagem ao Pará.

Na verdade, os insectos são a minha verdadeira paixão entre os animais, pois atuo na entomologia há muitos anos. Entomologia é o ramo da biologia que estuda os insectos.

Quase 70% das espécies atualmente existentes no planeta são insectos. Um grupo a que me dedico bastante são os besouros ou coleópteros, e na Amazônia há o titanus giganteus, um besouro que é o maior inseto do mundo, com mais de 22 centímetros de comprimento. Muitos morcegos são predadores de insectos, aí veio o interesse por eles. Em nosso mundo há quase 1.000 espécies de morcegos, 138 só no Brasil, apenas 3 são hematófagas, ou seja, alimentam-se de sangue. São os chamados vampiros; dentre eles dois sugam sangue de aves (diphylla ecaudata e diaemus youngii) e apenas uma espécie (desmodus rotundus) alimenta-se de sangue de mamíferos, mas a quantidade de sangue consumida é muito pequena, cerca de 20 mililitros, equivalente a três colheres de sopa.
E por quê esses morcegos são perigosos ?
Os ataques só são perigosos quando estão infectados com o vírus da raiva, tornando o morcego o transmissor da raiva no campo e uma triponossomíase equína.

Esse vampiro, com o apoio do polegar, consegue andar de quatro e saltar. Muitas vezes ele morde na altura dos pés da vítima, evitando assim ser pisoteado.O morcego vampiro, através da termorrecepção, consegue identificar o calor da circulação sanguínea embaixo da pele de sua vítima. Assim, sua mordida é praticamente cirúrgica, superficial e indolor, cortando a pele com seus dentes incisivos afiados, e nela injeta, com a saliva, uma substância anticoagulante (a desmoteplase), que faz a ferida sangrar continuamente e com sua língua suga o sangue.

A devastação das florestas e alterações no meio ambiente produzidas pelo homem afetam também os morcegos, segundo alguns especialistas. Como biólogo, como analisa a questão?

Primeiro, quero dizer que pesquisas científicas com essa substância anticoagulante indicam o uso medicinal ao ser humano no tratamento de coágulos sanguíneos que se formam após ataque coronariano e até derrames. Ataques de morcegos vampiros em humanos são raros, contudo há relatos em locais remotos no interior, onde a natureza foi alterada de forma drástica.

Na ausência de gado e animais selvagens, os hematófagos atacam animais domésticos e até seres humanos, preferencialmente nos dedos dos pés da vítima. Os morcegos possuem predadores naturais como o gambá, as serpentes e também os felinos (gatos). As fezes do morcego (guano) nas cavernas são utilizadas em certas partes do mundo como uma rica fonte de alimentos, mas essas fezes, quando acumuladas em grande quantidade em locais muito abafados e úmidos, podem proliferar um fungo (histoplasma), na forma de um pó branco e tóxico, que, quando inalado, ocasiona uma doença respiratória muito grave, a histaplasmose, que se não tratada leva à morte; essa doença provavelmente é a “maldição do faraó” em câmaras nas pirâmides egípcias. CARLOS MENDES